terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Crise e Desigualdade

Um professor da Universidade da Califórnia descobriu que nos Estados Unidos, sempre que se agrava o fosso entre ricos e pobres surge uma crise económica.
Num estudo realizado, com análise de dados desde 1917, foi detectado que sempre que 10% da população mais rica se apropria de 50% da riqueza total produzida, estão criadas condições para aparecer uma crise.
A experiencia da Europa mostra que os países mais ricos e desenvolvidos são aqueles que toleram menos diferenças entre ricos e pobres, como é o caso dos nórdicos em comparação com os latinos do Sul.
O salário mínimo português foi o segundo que mais cresceu na zona euro durante a crise. De 2000 a 2007 tivemos um crescimento inferior à média.
De 2007 a 2009 o salário mínimo teve uma actualização de 11,7%, superior à subida média de oito por cento nos dez países do Euro com valores disponíveis.
Só a Eslovénia, que aderiu ao Euro em 2004 teve uma taxa superior de 12,8%.
Mas esta subida nos últimos dois anos, que salientamos como muito positiva, não nos pode fazer esquecer que ainda temos o segundo mais baixo salário mínimo, só superior à Eslováquia que adoptou o euro há menos de um ano.
A título de exemplo refira-se que em Portugal o salário mínimo é 27,9% inferior ao de Espanha.
A democracia política é fundamental mas também temos de garantir que adoptamos políticas que atenuem as diferenças.
Uns país não pode ser rico se grande parte da sua população viver abaixo do limiar de pobreza.
Nenhuma estratégia válida de desenvolvimento pode ser implementada numa lógica de acumular riqueza numa minoria da população.
Portugal só tem dez milhões de habitantes. Cerca de trinta por cento vive abaixo do limiar de pobreza.
Não pode haver crescimento económico quando se prescinde de três milhões de potenciais consumidores.
Portugal precisa de melhorar o nível destes três milhões para que se possam vender mais casas, mais roupas nas lojas, mais refeições nos restaurantes…
Infelizmente há quem ainda não tenha percebido que somos um número demasiado pequeno para marginalizar tantos de nós.
Recentemente voltou a estar na ordem do dia a questão do valor do salário mínimo.
As centrais sindicais voltam a reivindicar actualizações que me parecem sensatas e que estão dentro da linha das promessas assumidas em anos anteriores pelo Governo socialista.
Alguns representantes das centrais patronais têm mostrado a sua oposição.
Vimos algumas figuras conhecidas do mundo financeiro e empresarial virem mais uma vez defender o congelamento do salário mínimo.
Não é admissível que alguns, beneficiados por faustosos vencimentos e mordomias, movidos pela ganância do lucro, continuem a defender e a promover o agravamento do fosso salarial existente em Portugal.
Seguindo este caminho as desigualdades em Portugal continuarão a acentuar-se. A nossa sociedade continuará a ficar mais injusta e mais estratificada.
Esta situação de crescente desigualdade salarial é ainda mais grave porque em Portugal há cerca de 2 milhões de pobres.
Um em cada cinco portugueses não têm sequer o salário mínimo e estão abaixo do limiar de pobreza não tendo o mínimo para viver com dignidade.
Os que nascem pobres terão mais dificuldades em deixar de ser pobres mesmo que sejam trabalhadores, inteligentes e capazes de iniciativa.
Os que têm a sorte de nascer ricos terão mais hipóteses de assim continuar mesmo que tenham poucas qualidade humanas.
Portugal tem um nível salarial muito baixo, claramente inferior á média europeia no que respeita ao salário mínimo.
Não é tolerável um país com um elevado nível de pobreza, devido ao facto de um salário mínimo ser claramente insuficiente para garantir uma vida digna a uma família.
Apoio a actualização do salário mínimo proposta pelos sindicatos e esperamos que o Governo cumpra as suas promessas e não ceda a chantagem dos “patrões”.
Compete ao Governo criar uma política salarial justa e que promova a coesão e o bem-estar social. Espero que ele opte pelo caminho certo.
(Publicado no Diário de Coimbra em 03.11.2009)

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Governo Com ou Sem Rumo

Sócrates e o PS venceram as eleições.
É verdade que perdeu 700 mil votos e perdeu a maioria absoluta, mas este facto não prejudica o seu direito de continuar a governar.
Ficou, no entanto, obrigado a dialogar com outras forças políticas, que lhe garantam a maioria parlamentar. Não pode continuar a refugiar-se na arrogância e a decidir sozinho.
Está agora obrigado a negociar para garantir a estabilidade governativa e a aprovação de propostas legislativas e de documentos fundamentais, desde o orçamento ao programa de governo.
É hoje claro que há uma larga maioria de esquerda (CDU+BE+PS) na Assembleia da República. O centro/direita (CDS+PSD) está em minoria.
Essa maioria de esquerda deve assumir as suas responsabilidades governativas.
Como o PS faz maioria com o Bloco de Esquerda e com a CDU devem estes três partidos entenderem-se para constituir Governo, garantindo uma governação que corporize a vontade democrática expressa pelos eleitores.
O PS tem que decidir se quer governar à direita ou à esquerda. Deve clarificar o discurso e assumir um rumo e as opções ideológicas correspondentes.
Foi a diferença ideológica que o Eng. Sócrates tentou imprimir durante a campanha eleitoral. Por isso mesmo, está obrigado a ser consequente.
O pior que pode acontecer a Portugal é o PS assumir agora uma postura dançarina que, conforme as situações, tenta fazer negócios políticos ora com o CDS/PSD, ora com a CDU/BE.
O País precisa de um rumo e de uma estratégia, o que não é possível com um Governo em permanente ziguezague político.
Os próximos quatro anos não vão ser fáceis.
Este Governo vai ter uma herança difícil, consequência da sua própria herança, reflexo da sua má governação.
É legitimo que a crise que Portugal enfrenta, que só em pequena parte se explica pela crise mundial, seja solucionada pelo mesmo Partido Socialista que foi permitindo o agravamento da situação económica nacional.
Após os últimos quatro anos e meio de Governo o Eng.º Sócrates não pode atirar as culpas para o antecessor, ou seja para ele próprio.
O próximo Governo tem que assumir as suas responsabilidades sem recurso a expedientes ou álibis.
Não pode continuar a desculpar-se com o passado, como tem feito recorrentemente José Sócrates, na actual legislatura.
É uma desculpa que já não pega sob pena das acusações lhe caírem na própria casa.
O actual Governo pautou a sua actuação por um ataque sistemático à classe média, esquecendo que é esta a que mais contribui para as receitas fiscais e que nenhuma economia sobrevive, de forma sustentada, sem uma classe média forte e saudável.
José Sócrates, encenando um arrependimento tardio, passou a recente campanha eleitoral a prometer medidas de apoio à classe média. Importa agora cumprir essas promessas que devem ser materializadas no programa do novo governo.
Desejo, a bem dos portugueses, que o líder socialista seja feliz no próximo Governo.
Se governar bem todos beneficiaremos. Se estiver mal seremos todos a pagar os erros da governação, sem esquecer que são os mais desfavorecidos e também, uma vez mais, a classe média a pagar a factura.
Como diz o ditado “é o mexilhão que se lixa quando o mar bate na rocha”.
O desemprego já ultrapassa as 500.000 pessoas. São muitas as famílias e crianças em risco social.
Importa que o novo Governo faça melhor que o anterior e que Portugal se desenvolva, se criem empregos, se diminua o desemprego, se combata a pobreza, se aumente as pensões e os salários, especialmente o mínimo. Não basta aumentar o lucro da banca ou as subidas na bolsa.
É preciso encontrar soluções para uma educação sábia e responsável para os nossos jovens e uma saúde ainda mais eficaz e acessível a todos.
É preciso enfrentar o combate à criminalidade e à corrupção, garantir a segurança e uma justiça mais célere e igual para todos. Sem álibis nem ziguezagues.
Porque o diagnóstico está feito. Agora basta a vontade política.
Criatividade, precisa-se porque necessitamos dum Portugal melhor.
(Publicado no Diário de Coimbra em 13.10.2009)

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

A Demagogia na Gestão da Saúde

O governo publicitou a contratação de dezenas de médicos cubanos para prestar serviço no Alentejo e na região de Lisboa.
Não há nada como umas eleições para acelerar algumas medidas.
Políticos que não fazem o seu trabalho atempadamente esforçam-se para resolver problemas nas vésperas de eleições.
Portugal gasta 9,9% do PIB na saúde, sector em que o gasto médio na OCDE é de 8,9%. Somos um dos países da OCDE que maior percentagem do PIB gasta nesta área.
É evidente que tendo Portugal um PIB inferior à média o valor absoluto é menor mas também é verdade que os nossos salários e pensões são menores.
Comparativamente com outros países Portugal gasta demasiado em medicamentos, devido ao seu preço exagerado e ao excesso de consumo.
Somos por exemplo um dos países que mais medicamentos para as depressões consome.
Curiosamente os Governos têm vindo a incentivar este consumo aumentando a percentagem de comparticipação.
Portugal tem 2,8 camas de internamento por cada mil habitantes, número inferior às 3,8 camas de média na OCDE. Temos menos 25% de camas do que a média.
Temos muito menos (50%) enfermeiros que os outros países. Cerca de 5,1 por cada mil habitantes quando a média na Europa é de 9,6.
Curiosamente Portugal tem mais médicos que a média na OCDE. O nosso país tem 3,5 médicos por cada mil habitantes sendo a média de 3,1.
Em dez milhões significa que temos 35 mil médicos quando para estarmos na média seriam só necessários 31 mil, ou seja temos quatro mil médicos a mais.
Como as pessoas sentem a sua falta então podemos concluir que estão subutilizados e mal distribuídos.
Nos meios técnicos para execução dos exames complementares de diagnóstico estamos acima da média dos outros países.
Temos por exemplo mais sessenta aparelhos de TAC que a média da OCDE e consta que somos o pais que mais aparelhos para avaliar a osteoporose possui.
É verdade que temos um dos melhores sistemas de saúde do mundo com excelentes indicadores. Se há um sector onde somos bons é na saúde embora seja fácil criticar e denegrir o Sistema Nacional de Saúde.
No entanto nem tudo tem corrido da melhor forma na saúde em Portugal.
Resumindo a análise feita aos vários indicadores concluímos que gastamos mais que a média, temos excesso de exames complementares de diagnóstico, consumimos mais medicamentos, temos menos camas, temos menos enfermeiros e temos médicos a mais.
Uma politica eficiente e racional de saúde deveria ter como objectivos evitar consumos desnecessários de dinheiro, medicamentos e exames auxiliares de diagnóstico (raios X, TAC e análises).
Deveriam ser criadas condições para se formarem mais enfermeiros.
O Governo deveria aumentar o número de camas para Cuidados Continuados de Saúde e criar camas para Cuidados Paliativos.
Deveria criar mais internamentos e reabrir os internamentos que recentemente encerrou em alguns Centros de Saúde com eventual conversão das camas em Cuidados continuados ou Cuidados Paliativos.
Uma política de saúde séria deveria gerir o número excessivo de médicos, distribuindo-os melhor por especialidades e pelo território, em vez de importar médicos cubanos para demagogia eleitoral.
(Publicado no Diário de Coimbra em 23.09.2009)

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

A Democracia e os Direitos Humanos

A Nobel da paz, Aung Suu Kyi foi condenada a mais dezoito meses de prisão domiciliária pelos tiranos de Myanmar. Esta condenação impede esta política de disputar as eleições em 2010.
A Nobel venceu as eleições e foi destituída pela junta militar.
Perante a indignação internacional, contra os militares que usurparam o poder, a China veio apoiar os ditadores.
Não são só os negócios entre os dois países que justificam este apoio da autocracia chinesa à ditadura de Myanmar.
Os líderes chineses não querem estar sozinhos no esmagar dos opositores.
Na Venezuela Chavez fecha televisões e jornais e promove um poder pessoal que esmaga quem se opõe.
Fá-lo com o apoio dos vizinhos Cubanos e de alguns presidentes sul-americanos interessados, também eles, em suspender a democracia e a liberdade de expressão.
Na Rússia o “czar” actual continua a muscular o regime e a congelar a democracia. Na República da Inguchétia cresce o numero de mortos, sequestrados e desaparecidos, como antes aconteceu na Tchetchénia.
Na década de noventa, após a queda do Muro de Berlim, parecia que todo o mundo iria caminhar no sentido dos regimes democráticos se tornarem inevitáveis.
Escrevia-se sobre o fim da história. Pensava-se que todo o mundo seria democrata e assente no mercado capitalista.
Uma observação atenta mostra que há uma alteração do rumo.
Os líderes autocráticos dos países mais poderosos não querem evoluir para regimes democráticos e vão criando alianças internacionais que apoiam as ditaduras.
Os militares de Myanmar, os autocratas chineses, os tiranos sul-americanos, os “czares” russos, os donos do petróleo em Luanda e os lideres das ditaduras muçulmanas, estão aliados no combate à democracia e na violação dos direitos humanos.
Não há uma ideologia que os una. Entre o estertor do comunismo de Cuba e da Coreia do Norte, a corrupção em Angola, o capitalismo selvagem da China e da Rússia, o folclore Venezuelano e o fundamentalismo muçulmano não há semelhanças ideológicas no que respeita à sociedade.
Une-os o oportunismo, a falta de escrúpulos, o sentirem o direito a ser poderosos, com acesso a privilégios e a viver nos palácios.
Em Portugal, agora que enfrentamos duas campanhas eleitorais, até parece que sempre vivemos em democracia. Muitos de nós, os mais novos, nunca conheceram a ditadura.
Está na altura de não esquecer que a democracia é uma conquista de todos, que todos devemos defender. Participar na vida pública é uma obrigação. Votar em liberdade é um direito e um dever.
Um olhar simples para o Mundo mostra-nos que já não há o Muro de Berlim, a separar liberdade e democracia, nem guerra entre comunistas e capitalistas. Mas continua a haver um confronto, entre aqueles que defendem a democracia, a tolerância, o direito dos adversários e aqueles que se julgam detentores do poder por uma qualquer predestinação.
Os partidos e os políticos têm defeitos. As democracias não são perfeitas. Mas Deus no livre de ditaduras e poderes autocráticos.
Portugal, num mundo globalizado, tem de lidar com todo o tipo de países e regimes.
No confronto entre ditaduras e democracias, nós, os portugueses, temos de estar na barricada da liberdade, na defesa dos direitos do homem.
(Publicado no Diário de Coimbra em 10.09.2009)

terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Estado à Deriva com a Falta de Segurança

As notícias mostram-nos um país cada vez mais inseguro, onde os crimes violentos se tornam realidades do dia-a-dia.
Os portugueses sentem que o crime avança. O governo tenta disfarçar, refugiando-se em estatísticas que tentam mascarar a realidade.
Com a desculpa do deficit e da crise os governantes vão introduzindo restrições nos orçamentos das forças de segurança.
O desinvestimento do Governo no reforço da autoridade tem uma vítima, o povo que se sente menos seguro, e dois tipos de beneficiários, os criminosos que actuam mais à vontade e os empresários de segurança privada, a quem os cidadãos têm de recorrer para se defenderem.
Entre 2007 e 2008 os crimes graves e violentos relacionados com os assaltos a bancos cresceram 113%, os relacionados com assaltos a abastecimentos de combustíveis aumentaram 95% e os ligados a assaltos a postos de correio e tesourarias cresceram 287%.
Nos últimos tempos o comércio da baixa de Coimbra tem sido flagelado por repetidos assaltos.
Os assaltantes quebram as montras à pedrada, sem medo do barulho, e depois roubam o que bem lhes apetece.
A polícia tem vindo não só a mostrar a sua impotência como tem publicitado que só tem quatro polícias durante a noite.
Em Coimbra terá havido dias com um único carro disponível para o policiamento, segundo fonte sindical.
Sabemos que o estado tem limitações orçamentais e que cada polícia tem custos elevados mas não será possível de imediato reduzir o número de polícias de dia para concentrar mais recursos durante a noite?
O Governo poderá não ter dinheiro para mais polícias mas se durante esse mesmo período visitarmos alguns serviços públicos vamos encontrar muitos “seguranças privados” pagos pelo Estado.
Durante os últimos anos sucessivos governos têm desinvestido nas forças de segurança e em simultâneo gasto cada vez mais a pagar a empresas, algumas multinacionais, para fazer segurança privada.
Verificamos que qualquer pequeno serviço do Estado tem segurança privada, pago com dinheiro que não existe para sustentar as Forças de Segurança.
Há mais seguranças privados em Portugal do que agentes de forças policiais.
O Relatório Anual da Segurança Privada aponta para 61.000 pessoas habilitadas embora só cerca de 40.000 tenham desempenhado em 2008 estas funções. Durante o ano o sector movimentou 650 milhões de euros.
De notar que a GNR e a PSP, juntas, têm apenas 48.000 efectivos.
Nada tenho contra a segurança privada, nem contra o facto de empresas aumentarem a sua protecção pela contratação destes serviços.
Já me parece muito discutível que o Estado poupe nos orçamentos das forças policiais para gastar dinheiro na contratação de segurança privada.
A segurança é uma questão de soberania que não pode ser entregue a privados.
No caso de circunstâncias excepcionais de segurança o estado só pode contar com os seus efectivos.
Os seguranças privados, que enxameiam alguns serviços do Estado, não são mobilizáveis. Numa situação de crise não contam.
É evidente que se pode alegar que estes seguranças privados ficam mais baratos para o estado que os efectivos policiais. Então que se mudem as regras de pagamento e de gestão do pessoal destes efectivos.
A solução não passa por acabar com as polícias do Estado e entregar a segurança a privados.
Todos nós, incluindo os comerciantes da Baixa de Coimbra, temos o direito de exigir que o Estado assuma as suas funções garantindo a nossa segurança.
(Publicado no Diário de Coimbra em 25.08.2009)

terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Liscont. Um negócio ruinoso para o Estado

O Governo assinou um contrato de concessão para a gestão do movimento de contentores do Porto de Lisboa com a Liscont, empresa do Grupo Mota-Engil, gerida pelo ex-ministro socialista Jorge Coelho.
Este contrato, assinado entre o governo socialista e uma empresa geridas por um ex-dirigente socialista, foi feito sem concurso público, no segredo dos gabinetes.
O Tribunal de Contas considerou-o agora um negócio ruinoso para o Estado.
Os juízes do Tribunal de Contas concluíram que “este contrato de concessão não consubstancia nem um bom negócio, nem um bom exemplo para o Sector Público, em termos de boa gestão financeira e de adequada protecção dos interesses financeiros públicos”.
Neste contrato o Estado assume pagar os eventuais prejuízos, ficando o parceiro privado fica com os lucros, sem qualquer risco.
A concessão prevê que a Liscont, seja indemnizada no caso de existirem restrições técnicas, ambientais ou meteorológicas.
Há um atraso na emissão duma licença e a Liscont é indemnizada. O mau tempo não permite fazer as dragagens e lá estamos nós a pagar, etc, etc.
Além das escandalosas indemnizações, a Liscont também beneficia de isenção de taxas até um movimento de 24 milhões de cargas em contentor. Um limite que, tudo indica, se prolongará até ao final da vida da Liscont.
Um verdadeiro escândalo.
O Tribunal revelou que o Estado, que fez este negócio ruinoso, ainda se prontificou a pagar 1,3 milhões de euros em despesas relativas a advogados, consultadoria e assessoria financeira, decorrentes da montagem do projecto deste contrato.
Segundo alguns especialistas este negócio permitiu elevar a rendibilidade accionista da empresa de 11 por cento para quase 14 por cento.
Sabemos que Jorge Coelho é um socialista todo-poderoso.
Recordamos que Jorge Coelho ficou conhecido, quando era ministro, por ter proferido a célebre ameaça: “quem se mete com o PS leva”.
Este contrato, tendo em consideração as conclusões do Tribunal de Contas, ficará para a história como exemplo das “negociatas” favorecidas pela promiscuidade entre a política e os negócios.
Mas o mais chocante é que perante as conclusões do Tribunal de Contas não existam consequências para os autores.
Como é possível que o Ministro não tenha sido imediatamente demitido?
A nossa democracia enfrenta uma grave crise.
Um dos aspectos mais negativos é a promiscuidade entre a política e os negócios como fonte de corrupção.
(Publicado no Diário de Coimbra em 11.08.2009)

segunda-feira, 27 de Julho de 2009

A Gripe A

O Mundo vive alguma insensatez. As sociedades mostram-se muito subjugadas a uma comunicação social muitas vezes acrítica.
Veja-se o caso da gripe suína, ou gripe A, que tem mobilizado imenso tempo de antena e obrigado os Estados a despender enormes recursos para evitar a “pandemia”.
Em Portugal são cerca de duas centenas de infectados e nenhuma morte mas quando a vacina estiver disponível serão, só em Portugal, vendidos muitos milhões de euros.
Aprecie-se a rapidez. A gripe suína surgiu há meses e já vai haver vacina em Setembro, Outubro…
Outras doenças continuam sem vacinas.
A malária continua a matar diariamente africanos e a sida a matar milhões de pessoas que não têm recursos para pagar os retrovirais.
Em Portugal, em cada inverno, em consequência da gripe, dita sazonal, morrem entre 1.500 a 2.500 pessoas, sem qualquer notícia na comunicação social.
Morrem por ano 2 milhões de crianças no mundo com diarreia, doença evitável com um simples soro que custa apenas 25 cêntimos.
O sarampo, a pneumonia e outras doenças similares, curáveis com simples vacinas baratas, matam cerca de 10 milhões de pessoas por ano.
São só simples mortes de gente que já não alimentam notícias nem interesses económicos. E estas mortes acontecem mesmo com a vacina para a gripe sazonal…
Perante as duas centenas de engripados em Portugal, quase na totalidade já curados, mobilizam-se imensos recursos humanos e financeiros.
Em contraponto assusta a insensibilidade política que fecha os olhos ao facto de, só nos primeiros 5 meses do ano, 41 mulheres terem sido mortas pela violência machista.
Assusta que nem se noticiem as centenas de pessoas que continuam a morrer nas nossas estradas em cada ano, só porque o Estado se demite de fazer a fiscalização, a educação e a prevenção adequadas.
Assusta que pessoas com cancro continuem em lista de espera para cirurgias que as possam salvar…
Sem colocar em causa as necessárias medidas preventivas para impedir a propagação da doença, que devem ser implementadas, uma pergunta não pode ficar por fazer. Que interesses económicos estão por trás da gripe A?
Há alguns anos também todos nos recordamos da famosa gripe das aves.
As primeiras páginas dos jornais de todo o mundo inundaram-se de notícias com títulos bombásticos: “Uma epidemia, a mais perigosa de todas... Uma pandemia”.
Tal como agora o pânico instalou-se.
A gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas em todo o mundo, em 10 anos. Ou seja 25 mortos por ano.
A gripe comum, mata por ano cerca de meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra vinte e cinco.
Mas para o combate à gripe das aves foram vendidos milhões de doses de Tamiflú. As empresas farmacêuticas que venderam estes antivirais, obtiveram milhões de euros de lucro.
Com a gripe suína a história repete-se. O clima de pânico instalou-se de novo, os governos voltam a encomendar, aos mesmos laboratórios, milhões de euros de vacinas.
Em Portugal a senhora ministra parece uma “barata tonta” a correr para a televisão e a falar sobre a pandemia.
Também ela mostra grande preocupação em adquirir vacinas, para prevenir uma gripe que até ao momento mostrou ser suave e, tal como a gripe habitual, só ser perigosa para pessoas debilitadas, com sida ou outras doenças crónicas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 29.07.2009)

quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Fátima Ramos, A Nossa Presidente


terça-feira, 21 de Julho de 2009

Caritas in Veritate


No dia 7 do corrente foi apresentada, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a nova encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate (Caridade na verdade).
O documento aborda temas sociais e económicos e conforme o próprio Bento XVI referiu "este documento, (...) pretende aprofundar alguns aspectos do desenvolvimento integral da nossa época, à luz da caridade na verdade".
O Papa Bento XVI com este documento empenha-se na luta contra a fome, numa reinvenção da ética, na tentativa de reconstruir o novo mundo (mais limpo e mais sustentável), no combate às desigualdades sociais e ao drama do desemprego (ou da precariedade no trabalho).
Tudo riscos para a democracia e que se não forem severa e rapidamente atalhados colocam em causa a nossa própria sobrevivência civilizacional.
O progresso necessita da verdade. Sem ela, afirma o Pontífice, "a actividade social acaba à mercê de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade".
O Pontífice evidencia que "as causas do subdesenvolvimento não são primariamente de ordem material".
Elas estão, antes de tudo, na vontade, no pensamento e, mais ainda, "na falta de fraternidade entre os homens e entre os povos".
"A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos". É necessária mobilização, para que a economia evolua "para metas plenamente humanas".
.: Leia a Encíclica na íntregra

quarta-feira, 15 de Julho de 2009

“Roubalheira” na Banca

Na campanha eleitoral para o parlamento europeu Vital Moreira denunciou aquilo que classificou de “roubalheira” no banco BPN.
Fê-lo tentando prejudicar o PSD, uma vez que alguns dos protagonistas foram políticos ligados a governos de Cavaco Silva.
Não explicou a razão porque o governo socialista tem sido aparentemente tão diligente em abafar esta “roubalheira”.
O BPN foi vítima de uma gigantesca burla, sugestiva de actividades criminosas, que o levou a uma situação de falência eminente.
O Governo, através da Caixa Geral de Depósitos, nacionalizou o BPN. Já lá Injectou 2,5 mil milhões de euros.
Neste “negócio” admite-se que o Estado venha a recuperar algum do dinheiro investido mas especialistas consideram que nunca perderá menos de mil milhões de euros.
Não nos surpreende que gente pouco séria tenha caído na tentação de enriquecer por métodos ilícitos.
Indigna-nos que o governo apareça no processo a branquear a situação, cobrindo, com o nosso dinheiro, as contas que os criminosos colocaram a descoberto.
Enquanto isso alguns habilidosos “abotoaram-se” com o dinheiro.
Concordamos com Vital Moreira ao classificar a situação de “roubalheira”. Não percebemos porque defende um governo que protege os criminosos e paga a despesa dos seus actos.
No caso do BPP os depositantes têm afirmado que terão sido enganados. Afirmam ter feito depósitos, convencidos que tinham o capital garantido, desconhecendo que as suas aplicações eram feitas em produtos de risco. Exigem por essa razão que o Governo lhes garanta os depósitos.
O Governo já veio garantir que cobrirá todas as contas mesmo as que excedem os 100 mil euros garantidos pelo fundo de garantia.
É evidente que há culpados nesta “roubalheira”. Há até um arguido preso.
Mas a opinião generalizada dos portugueses é que mais ninguém será preso, Oliveira e Costa será rapidamente libertado e os processos arrastar-se-ão durante anos, sem consequências, até serem arquivados por descrédito ou acabarem por prescrever.
O Partido Socialista na Assembleia da República apressou-se a desresponsabilizar o governador do Banco de Portugal, entidade a quem competia a supervisão do sistema bancário.
Vítor Constâncio, em vez de ter apresentado de imediato a sua demissão, como lhe competia, protegido pelo Governo optou por tratar os deputados com uma arrogância completamente desadequada, como se estivesse acima de todos os poderes.
A mega fraude de Bernard Madoff foi descoberta nos Estados Unidos em Dezembro de 2008.
Madoff foi preso, os seus bens confiscados, bem como os de alguns colaboradores, e a sentença judicial foi conhecida em Junho de 2009.
Qualquer semelhança entre a eficiência do sistema de justiça nos Estados Unidos e em Portugal é pura coincidência.
Por cá temos um banqueiro preso preventivamente, alguns arguidos em liberdade e muitos milhões apropriados por ambiciosos, respeitáveis, sem escrúpulos.
Os casos que envolvem o BCP, BPP e BPN mostram que somos um país dominado por um sistema judicial inoperante.
Somos um país de tipos “porreiros”, que admiram e premeiam os chico espertos.
(Publicado no Diário de Coimbra em 14.07.2009)

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

O Nacional Porreirismo e a Justiça

A mega fraude de Bernard Madoff foi descoberta em Dezembro de 2008. Madoff foi preso, os seus bens confiscados, bem como os de alguns colaboradores, e a sentença judicial foi conhecida em Junho de 2009.
Qualquer semelhança entre a eficiência do sistema de justiça nos Estados Unidos e em Portugal é pura coincidência.
Os casos que envolvem o BCP, BPP e BPN mostram que somos um país dominado por um sistema judicial inoperante.
Somos um país de tipos porreiros, que admiram e premeiam os chico espertos. Por cá temos um banqueiro preso preventivamente, alguns arguidos em liberdade e muitos milhões apropriados por ambiciosos, respeitáveis, sem escrúpulos.
Se fosse um cigano a enganar um qualquer incauto não temos duvida que teria de ser julgado. Como aqui os vigários são banqueiros veremos qual vai ser a actuação da justiça.

terça-feira, 30 de Junho de 2009

Haja Bom Senso

Neste espaço tenho vindo a alertar para o enorme erro que é a aposta do Governo na execução de obras públicas megalómanas.
No 10 de Junho o Presidente da República chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia de médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Há cerca de uma semana um grupo de 28 economistas de referência, entre os quais vários ex-ministros do PS, vieram a público alertar para a mesma situação.
No documento que divulgaram referem que: “A insistência em grandes investimentos públicos, de baixa ou nula rentabilidade, e com fraca criação de emprego em Portugal, não é o caminho no combate à crise económica. São projectos que exigem a mobilização de recursos avultados, com elevados impactos na dívida externa, e na dívida pública, e com custos de oportunidade significativos no ataque às nossas verdadeiras fraquezas estruturais e no crescimento sustentado da economia.”
Segundo uma sondagem da Marktest para a TSF e Diário Económico, divulgada ontem, dois em cada três portugueses (73,9%) acha que Portugal deve reavaliar a execução das grandes obras públicas, nomeadamente o TGV, o novo aeroporto e a terceira ponte em Lisboa.
Mesmo agora, perante a crise, indiferente aos vários alertas e à opinião dos portugueses, o Governo parece teimosamente decidido em apostar no apoio às grandes empresas, promovendo investimentos megalómanos.
O Governo quer endividar o País obrigando os portugueses, que já vivem com dificuldades, a pagar mais impostos para suportar loucuras insustentáveis e financeiramente ruinosas.
Não significa isto que esteja contra o investimento público. O investimento público é necessário.
Considero contudo que esse investimento deve ser criteriosamente distribuído pelo território nacional, tendo como principal objectivo os investimentos geradores de riqueza e que permitam a criação de postos de trabalho, bem como os que promovam a coesão territorial, tais como as vias de ligação dos vários concelhos às respectivas sedes de distrito e a recuperação dos monumentos classificados.
O governo deveria lançar medidas de salvação nacional a nível económico, incentivando e apoiando as Pequenas e Médias Empresas através de pequenos investimentos disseminados pelo país e não concentrados na grande Lisboa.
No imobiliário é preciso deixar de construir bairros novos, apoiando antes os proprietários na recuperação das casas antigas que, um pouco por todo o país, vão ficando em ruínas.
Só estímulos às Pequenas e Médias Empresas (PME’s) serão capazes de reanimar a economia, impedindo o desemprego crescente.
Em Portugal encerraram 60 mil PME’s entre Janeiro de 2008 e Abril de 2009. As PME’s empregam 70% da população activa.
O presidente da Confederação Europeia das PME’s, Mário Ohoven, alertou para que em Portugal só a manipulação política e o tráfico de influências podem explicar que as grandes empresas tenham o privilégio de aceder aos fundos europeus em detrimento das PME’s. Segundo este importante dirigente alemão, o Governo português está dependente dos lobbies das grandes empresas.
É fundamental que o Governo perceba que deve apoiar a economia real e não os especuladores financeiros que não criam emprego. É necessário que o Governo deixe de olhar só para as grandes empresas.
Perante a evidência do desastre económico provocado pela febre despesista, surpreende que o Governo continue a endividar-se apostando tudo em obras de betão.
Corremos o risco de a curto prazo termos um estado arruinado, que tem de canalizar todos os nossos impostos para sustentar o pagamento da divida.
Impõe-se como tal, em nome do interesse nacional, que o Governo proceda a uma reavaliação profunda dos mega-investimentos públicos na área dos transportes.
A solução para a crise do país não passa pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa, o TGV ou uma nova ponte em Lisboa.
O país precisa de novas estratégias para um desenvolvimento coeso e sustentado.
(Publicado no Diário de Coimbra em 30.06.2009)

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O Erro das Grandes Obras

As comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, ficaram este ano marcadas pelas intervenções do Presidente da República e de António Barreto, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações.
O Presidente da República defendeu a aposta na educação e no mundo rural como forma de conseguir um ordenamento territorial, a coesão do todo nacional e o combate ao despovoamento do interior.
Cavaco Silva chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia a médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Referiu que é preciso agir "com determinação, sentido estratégico e capacidade de mobilizar esforços e vontades" e apostar no que é "essencial para o aumento da nossa capacidade competitiva".
Defendeu ainda que "é necessário ter (...) a coragem de encarar a verdade dos factos e proceder às mudanças que sejam necessárias".
O Governo fazendo “ouvidos de mercador” da mensagem do Presidente da República continua a defender o avanço das grandes obras públicas.
Esta aposta do Governo assenta em três erros enormes.
Retira dinheiro da economia real para o concentrar nos grandes grupos financeiros.
Num país com recursos escassos consome o que tem e não tem em obras de utilidade imediata duvidosa, como é o caso do TGV e do novo aeroporto de Lisboa.
Como estas obras vão ser feitas com base no endividamento compromete ainda mais o nosso futuro.
Para muitos especialistas é no mínimo questionável a opção de contrariar a crise através de um maior endividamento do Estado.
A mim parece-me uma evidente loucura.
Todos sabemos que quando uma família está numa situação difícil, não conseguindo pagar as suas dívidas, a solução não passa por contrair mais dívidas.
A solução exige novas receitas ou menos despesa.
As dificuldades presentes decorrem da situação de crise internacional mas não nos podemos esquecer que Portugal tem vindo, nos últimos anos, a fazer pior e menos que os restantes países da UE.
Esta opinião, dos que defendem que se endivide ainda mais o país, só é possível porque interessa a alguns grupos financeiros e às grandes construtoras, que se habituaram a viver à custa do Estado.
O país precisa de novas estratégias de desenvolvimento.
Necessita de indústrias competitivas, de desenvolver as pescas, de modernizar a agricultura, de aproveitar o território a o espaço florestal, de melhorar e ampliar o sector do turismo… Mas estas áreas são arriscadas, exigem trabalho e esforço. É mais fácil ganhar dinheiro sem risco à custa dos grandes negócios com o Estado.
A solução para a crise do país não passa pelo aumento do endividamento nem pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa ou o TGV.
A opção de agravar o endividamento é uma solução oportunista, para o Governo ganhar eleições, mas que vai comprometer o futuro do país durante muitos anos.
As loucuras que o Governo agora cometer a gastar dinheiro sem “tino” serão pagas por todos nós, com juros, nos próximos anos ou décadas.
A crise económica, o desemprego, a pobreza e a baixa natalidade são factores que deprimem os portugueses.
Segundo um estudo/sondagem publicado recentemente no jornal britânico The Economist, os portugueses são os cidadãos mais tristes e desmotivados da Europa, só igualados pelos povos de leste da Hungria e Bulgária.
Tudo isto porque Portugal já foi, em termos de crescimento, ultrapassado por todos os países da Europa, segundo o mesmo jornal.
Perante a enorme crise de confiança em que o país se encontra exigem-se políticos capazes de definirem políticas que conduzam Portugal a dobrar este novo “Cabo das Tormentas”.
O engenheiro Sócrates é um homem desgastado.
As várias histórias em que se tem visto envolvido debilitaram-no.
Portugal não pode ter à sua frente políticos enfraquecidos, mais preocupados com a defesa da sua imagem do que com a governação do país.
(Publicado no Diário de Coimbra em 16.06.2009)

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Resultados Totais Europeias 2009

quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Discurso do Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas no 10 de Junho



O sociólogo António Barreto, no discurso do 10 de Junho, desafiou as elites e os vários poderes, do político ao empresarial, a serem exemplos para o resto da sociedade portuguesa.
Leia o discurso completo AQUI.

José Manuel Fernandes, Director do Público, comentou no Twitter: "Discurso de António Barreto no 10 de Junho é dos melhores que ouvi nos últimos anos. Afixem-no em toda a parte: escolas, repartições, tribunais, empresas."

A avaliação da frequência de utilização das palavras no discurso de António Barreto, vista pelo Wordle:

Discurso do Presidente da República no 10 de Junho



Cavaco Silva no discurso do 10 de Junho, em Santarém, alertou para a necessidade de uma "estratégia a médio e longo prazo" para o país.
Leia o discurso completo AQUI.

A avaliação da frequência de utilização das palavras no discurso de Presidente da República, vista pelo Wordle:

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

O Santo Condestável, o Governo e a Igreja

O herói nacional, Condestável D. Nuno Alves Pereira, foi considerado Santo.
Os portugueses sabem que lhe devem a independência nacional conquistada na batalha de Aljubarrota.
Sem ele seriamos hoje provavelmente uma região de Espanha. É sem duvida uma das figuras maiores da nossa história.
A Igreja, avaliando as suas qualidades humanas atribui-lhe o titulo de Santo.
Para os historiadores foi um exemplo de humanismo ao reconhecer aos vencidos o estatuto de pessoas dignas de respeito.
Em vez de os massacrar ou tratar de forma indigna, como acontecia na época, o Condestável criou condições para os castelhanos feridos na batalha terem cuidados de saúde e apoio na alimentação. Foi talvez um dos primeiros momentos na história da humanidade onde os vencedores trataram os vencidos de forma digna, como prisioneiros de guerra, com direitos reconhecidos.
Sendo uma das pessoas mais ricas do reino veio a abdicar de toda a sua fortuna para entrar num convento como frade Carmelita, em 1423, e dedicou a sua vida à causa da defesas dos mais pobres.
O Papa considerou São Nuno um exemplo para a sociedade actual tendo salientado o seu despojamento. A Santa Sé apresentou o novo Santo como um dos homens mais ricos de Portugal que por amor a Deus se fez pobre, distribuindo os seus bens pela Igreja, pelos pobres, pela família e pelos antigos companheiros de armas.
Nem sempre temos portugueses a verem os seus méritos reconhecidos internacionalmente.
É um momento de satisfação, não só para os crentes, sentir que a Igreja reconhece as qualidades deste herói nacional.
Infelizmente o Governo alheou-se do processo, parecendo ter vergonha de se associar e de se congratular com a decisão da Igreja Católica.
Este é um Governo que tem sistematicamente mostrado alguma dificuldade de convivência com a religião, particularmente com a Igreja Católica. Com frequência opta por políticas ditas fracturantes, que mais não são que afrontar a doutrina da Igreja.
Este Governo é capaz de festejar com entusiasmo qualquer pequena vitória desportiva mas mostrou uma enorme incapacidade de reconhecer com a dignidade merecida a decisão de canonizar Frei Nuno de Santa Maria.
D. José Policarpo afirmou que Frei Nuno de Santa Maria é inconciliável com a mediocridade e que o Governo convive mal com a Igreja
Para agradar aos radicais o Governo incentiva o aborto, isentando as mulheres de pagar taxas moderadoras, mas se uma mulher quiser engravidar e precisar de apoio para ultrapassar a sua esterilidade o Governo já não a apoia com a mesma celeridade e gratuitidade.
O PS quer incentivar o casamento dos homossexuais mas não cria políticas que incentivem as famílias a poder ter mais filhos.
Um relatório recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) demonstra que os apoios concedidos às famílias portuguesas, para apoio à natalidade, continuam muito abaixo da média internacional.
O Governo facilita o divórcio mas recusa criar uma fiscalidade que apoie as famílias a enfrentarem tantas dificuldades.
Vem agora o PS querer distribuir preservativos nas escolas criando nas crianças a ideia que fazer sexo é tão fácil e natural como beber um copo de água.
Sexo seguro não é incentivar a promiscuidade nem banalizar o sexo. Combater a SIDA e as gravidezes de mães menores passa por dignificar a família, ensinar os jovens que devem controlar os seus instintos e valorizar o amor.
É um Governo que se comporta com a Igreja como aqueles miúdos que batem e fogem. Pela frente simpatia mas sempre que pode vai dando umas caneladas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 02.06.2009)

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

A Fuga dos Lucros para o Estrangeiro

Já aqui recordei que um dos principais problemas do País reside no facto de uma parte significativa dos lucros das empresas multinacionais sair de Portugal, beneficiando outras economias.
Portugal, que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
Repare-se que só a espanhola Iberdrola, que detém unicamente 9,5% da portuguesa EDP, recebeu 43,2 milhões de euros de dividendos em 2007.
Em Portugal a EDP vende a energia a um valor superior às suas congéneres europeias, fabricando artificialmente lucros, que não só não ficam em Portugal como vão contribuir para o enriquecimento de economias concorrentes com a nossa.
Idêntica situação se verifica na “portuguesa” GALP.
Em resultado dos impostos aplicados pelo Governo nos produtos petrolíferos e de margens de comercialização excessiva, os portugueses, tal como acontece com a electricidade, pagam a gasolina e o gasóleo acima dos valores praticados em muitos outros países onde os salários e o nível de vida são superiores aos nossos.
Esta “exploração” dos portugueses ainda seria de tolerar se os lucros ficassem em Portugal e contribuíssem para dinamizar a nossa economia.
Infelizmente uma percentagem elevada pertence a accionistas estrangeiros que se limitam a vir aqui buscar lucros elevados, claramente especulativos, perante o silêncio do Governo.
Em 2008 mais de 3% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) foi parar à mão de estrangeiros. O ano passado, mais de 6,58 mil milhões de euros da riqueza gerada em Portugal saiu do país.
Curiosamente em 2003 este valor foi só de 1,85 mil milhões, menos de um terço.
De 2003 a 2008 a riqueza transferida para o estrangeiro cresceu 355,6% (mais de trezentos e cinquenta e cinco por cento) o que não permite qualquer comparação com o aumento dos salários no mesmo período.
São números que constituem um verdadeiro escândalo e que só são possíveis por uma demissão clara dos nossos governantes, aparentemente mais interessados em promover interesses privados, com capitais estrangeiros, do que em defender o interesse público nacional.
Recentemente o Presidente da República veio alertar para este facto de os portugueses serem cada vez menos os donos da riqueza produzida no País.
Estes valores evidenciam-se no crescimento do PIB de 1,8% em 2008 versus o crescimento do rendimento nacional bruto que só aumentou 1,6%.
Como salientou Cavaco Silva “mais importante do que olhar para o PIB, seria olhar para o rendimento nacional bruto. Uma coisa é o rendimento gerado pelo país e outra é o que fica no país”.
Ou seja cada vez é maior a diferença entre o que se produz em Portugal e aquilo que fica no país para ser distribuído pelos portugueses, mesmo esquecendo que a nossa economia está cada vez mais injusta e desequilibrada, com maiores injustiças sociais.
Cavaco Silva afirmou esperar que, "tal como acontece na Irlanda e noutros países, que comece a salientar-se mais o rendimento nacional bruto do que o produto nacional bruto, porque tem mais significado".
Importa que o Governo dê ouvidos ao Presidente da República e coloque este assunto como uma das prioridades da sua politica económica.
(Publicado no Diário de Coimbra em 19.05.2009)

quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Portugal's Economy - Socratic Dialogue


Uma sondagem do jornal inglês The Economist aponta os portugueses como o povo mais tristes e desmotivados da Europa, só acompanhados pelos povos do leste da Hungria e Bulgária.
Segundo os dados da sondagem 92% dos portugueses vêm a situação económica como má, 95% estão deprimidos e mais de 50% estão descontentes com as suas condições de vida.
São apontado como pontos fortes portugueses o facto de os nossos bancos terem evitado activos tóxicos, o bom desempenho que temos mostrado na produção de energias renováveis e o crescimento das exportações para Angola. Estes não são no entanto suficientes para contrabalançar o mau desempenho da economia portuguesa.
Portugal não só não sentiu um “boom” económico, como a Irlanda ou a Espanha, como, nos últimos anos tem crescido abaixo da média europeia, incapaz de implementar uma estratégia de convergência.
Portugal já se deixou ultrapassar por todos os países da Europa.
Há dois dias a União Europeia actualizou as previsões do desempenho da nossa economia para este ano apontando para um défice orçamental de 6,5% e uma taxa de desemprego superior a 9%, valores que sobem para 6,7% e 9,8% respectivamente em 2010.
Segundo estudos recentes Portugal é também o país da União Europeia com maior desigualdade na distribuição de rendimentos.
O nosso País é aquele em que o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é mais largo. O mesmo acontece entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres.
(Ver artigo na The Economist)

terça-feira, 5 de Maio de 2009

A Política Agrícola e a Economia Nacional

Um dos principais problemas do País reside no facto de uma parte significativa dos lucros das empresas multinacionais sair de Portugal, beneficiando outras economias.
Portugal que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
A falência da política económica “promovida” pelo Governo ainda se torna mais evidente quando se compara com o que acontece em sectores assentes na riqueza endógena como é o caso da agricultura.
A riqueza gerada pela agricultura caiu 23% desde 1992.
Curiosamente os apoios concedidos aos agricultores caíram 42,5 % no mesmo período.
Segundo dados recentes e tendo em conta as verbas referentes ao Regime de Pagamento Único, ao PRODER e aos programas que o antecederam o Governo desperdiçou mais de mil milhões de euros disponibilizados por Bruxelas entre os anos de 2005 e 2008, por incapacidade de agilizar os mecanismos que poderiam permitir a sua utilização.
Não espanta que com esta descida dos apoios e dos rendimentos tenhamos cada vez menos agricultores e mais campos abandonados.
Um estudo recente aponta que nos próximos anos só 30% dos agricultores possam sobreviver no mercado.
Esta política de desprezo pela agricultura é completamente irracional. Não podemos continuar a abandonar as terras e a apostar numa economia de crescente importação de bens essenciais.
Recentemente até o insuspeito Presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), João Salgueiro, afirmou que a agricultura tem maior potencial para criar empregos que o sector das obras públicas.
Para este economista os planos actuais contra a crise assentam numa política de betão, o que não resolve os dois grandes problemas nacionais: o desemprego e o desequilíbrio da balança comercial.
Segundo o Presidente da APB deveria haver uma campanha nacional para explicar o valor da agricultura.
João Salgueiro lamentou que o sector continue tão desprezado, ao contrário de outros países mediterrâneos que têm apostado no aumento das exportações para o resto da Europa.
O desenvolvimento da agricultura poderia também contribuir para atenuar o desequilíbrio crescente entre o litoral e o interior cada vez mais envelhecido e desertificado.
Falar da agricultura obriga a pensar na floresta.
As pessoas ligadas ao sector sabem que a floresta tem sido igualmente abandonada.
Veja-se o caso grave da doença do pinheiro e a ligeireza com que o Governo tem ”tratado” o problema, causando sérios prejuízos a toda a indústria da fileira do pinheiro: serrações, industria do mobiliário e indústria das embalagens, por exemplo.
A floresta não só é fundamental à riqueza nacional como é essencial à preservação do ambiente e ao turismo de natureza.
A floresta tem que ter políticas que apostem na sustentabilidade do negócio, na valorização da biodiversidade ambiental e na coesão social. Tem que ser rentável para atrair investidores e tem que criar empregos para a população activa que vive na proximidade da mata
Um dos aspectos essências é a valorização da produção de energia renovável pela biomassa.
Basta ver o desprezo a que o Governo tem votado o Centro da Biomassa para a Energia (CBE), sediado em Miranda do Corvo, para se ter a noção da falta de lucidez política dos responsáveis pelo sector.
(Publicado no Diário de Coimbra em 05.05.2009)