As notícias mostram-nos um país cada vez mais inseguro, onde os crimes violentos se tornam realidades do dia-a-dia.
Os portugueses sentem que o crime avança. O governo tenta disfarçar, refugiando-se em estatísticas que tentam mascarar a realidade.
Com a desculpa do deficit e da crise os governantes vão introduzindo restrições nos orçamentos das forças de segurança.
O desinvestimento do Governo no reforço da autoridade tem uma vítima, o povo que se sente menos seguro, e dois tipos de beneficiários, os criminosos que actuam mais à vontade e os empresários de segurança privada, a quem os cidadãos têm de recorrer para se defenderem.
Entre 2007 e 2008 os crimes graves e violentos relacionados com os assaltos a bancos cresceram 113%, os relacionados com assaltos a abastecimentos de combustíveis aumentaram 95% e os ligados a assaltos a postos de correio e tesourarias cresceram 287%.
Nos últimos tempos o comércio da baixa de Coimbra tem sido flagelado por repetidos assaltos.
Os assaltantes quebram as montras à pedrada, sem medo do barulho, e depois roubam o que bem lhes apetece.
A polícia tem vindo não só a mostrar a sua impotência como tem publicitado que só tem quatro polícias durante a noite.
Em Coimbra terá havido dias com um único carro disponível para o policiamento, segundo fonte sindical.
Sabemos que o estado tem limitações orçamentais e que cada polícia tem custos elevados mas não será possível de imediato reduzir o número de polícias de dia para concentrar mais recursos durante a noite?
O Governo poderá não ter dinheiro para mais polícias mas se durante esse mesmo período visitarmos alguns serviços públicos vamos encontrar muitos “seguranças privados” pagos pelo Estado.
Durante os últimos anos sucessivos governos têm desinvestido nas forças de segurança e em simultâneo gasto cada vez mais a pagar a empresas, algumas multinacionais, para fazer segurança privada.
Verificamos que qualquer pequeno serviço do Estado tem segurança privada, pago com dinheiro que não existe para sustentar as Forças de Segurança.
Há mais seguranças privados em Portugal do que agentes de forças policiais.
O Relatório Anual da Segurança Privada aponta para 61.000 pessoas habilitadas embora só cerca de 40.000 tenham desempenhado em 2008 estas funções. Durante o ano o sector movimentou 650 milhões de euros.
De notar que a GNR e a PSP, juntas, têm apenas 48.000 efectivos.
Nada tenho contra a segurança privada, nem contra o facto de empresas aumentarem a sua protecção pela contratação destes serviços.
Já me parece muito discutível que o Estado poupe nos orçamentos das forças policiais para gastar dinheiro na contratação de segurança privada.
A segurança é uma questão de soberania que não pode ser entregue a privados.
No caso de circunstâncias excepcionais de segurança o estado só pode contar com os seus efectivos.
Os seguranças privados, que enxameiam alguns serviços do Estado, não são mobilizáveis. Numa situação de crise não contam.
É evidente que se pode alegar que estes seguranças privados ficam mais baratos para o estado que os efectivos policiais. Então que se mudem as regras de pagamento e de gestão do pessoal destes efectivos.
A solução não passa por acabar com as polícias do Estado e entregar a segurança a privados.
Todos nós, incluindo os comerciantes da Baixa de Coimbra, temos o direito de exigir que o Estado assuma as suas funções garantindo a nossa segurança.
(Publicado no Diário de Coimbra em 25.08.2009)
terça-feira, 25 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Liscont. Um negócio ruinoso para o Estado
O Governo assinou um contrato de concessão para a gestão do movimento de contentores do Porto de Lisboa com a Liscont, empresa do Grupo Mota-Engil, gerida pelo ex-ministro socialista Jorge Coelho.
Este contrato, assinado entre o governo socialista e uma empresa geridas por um ex-dirigente socialista, foi feito sem concurso público, no segredo dos gabinetes.
O Tribunal de Contas considerou-o agora um negócio ruinoso para o Estado.
Os juízes do Tribunal de Contas concluíram que “este contrato de concessão não consubstancia nem um bom negócio, nem um bom exemplo para o Sector Público, em termos de boa gestão financeira e de adequada protecção dos interesses financeiros públicos”.
Neste contrato o Estado assume pagar os eventuais prejuízos, ficando o parceiro privado fica com os lucros, sem qualquer risco.
A concessão prevê que a Liscont, seja indemnizada no caso de existirem restrições técnicas, ambientais ou meteorológicas.
Há um atraso na emissão duma licença e a Liscont é indemnizada. O mau tempo não permite fazer as dragagens e lá estamos nós a pagar, etc, etc.
Além das escandalosas indemnizações, a Liscont também beneficia de isenção de taxas até um movimento de 24 milhões de cargas em contentor. Um limite que, tudo indica, se prolongará até ao final da vida da Liscont.
Um verdadeiro escândalo.
O Tribunal revelou que o Estado, que fez este negócio ruinoso, ainda se prontificou a pagar 1,3 milhões de euros em despesas relativas a advogados, consultadoria e assessoria financeira, decorrentes da montagem do projecto deste contrato.
Segundo alguns especialistas este negócio permitiu elevar a rendibilidade accionista da empresa de 11 por cento para quase 14 por cento.
Sabemos que Jorge Coelho é um socialista todo-poderoso.
Recordamos que Jorge Coelho ficou conhecido, quando era ministro, por ter proferido a célebre ameaça: “quem se mete com o PS leva”.
Este contrato, tendo em consideração as conclusões do Tribunal de Contas, ficará para a história como exemplo das “negociatas” favorecidas pela promiscuidade entre a política e os negócios.
Mas o mais chocante é que perante as conclusões do Tribunal de Contas não existam consequências para os autores.
Como é possível que o Ministro não tenha sido imediatamente demitido?
A nossa democracia enfrenta uma grave crise.
Um dos aspectos mais negativos é a promiscuidade entre a política e os negócios como fonte de corrupção.
(Publicado no Diário de Coimbra em 11.08.2009)
Este contrato, assinado entre o governo socialista e uma empresa geridas por um ex-dirigente socialista, foi feito sem concurso público, no segredo dos gabinetes.
O Tribunal de Contas considerou-o agora um negócio ruinoso para o Estado.
Os juízes do Tribunal de Contas concluíram que “este contrato de concessão não consubstancia nem um bom negócio, nem um bom exemplo para o Sector Público, em termos de boa gestão financeira e de adequada protecção dos interesses financeiros públicos”.
Neste contrato o Estado assume pagar os eventuais prejuízos, ficando o parceiro privado fica com os lucros, sem qualquer risco.
A concessão prevê que a Liscont, seja indemnizada no caso de existirem restrições técnicas, ambientais ou meteorológicas.
Há um atraso na emissão duma licença e a Liscont é indemnizada. O mau tempo não permite fazer as dragagens e lá estamos nós a pagar, etc, etc.
Além das escandalosas indemnizações, a Liscont também beneficia de isenção de taxas até um movimento de 24 milhões de cargas em contentor. Um limite que, tudo indica, se prolongará até ao final da vida da Liscont.
Um verdadeiro escândalo.
O Tribunal revelou que o Estado, que fez este negócio ruinoso, ainda se prontificou a pagar 1,3 milhões de euros em despesas relativas a advogados, consultadoria e assessoria financeira, decorrentes da montagem do projecto deste contrato.
Segundo alguns especialistas este negócio permitiu elevar a rendibilidade accionista da empresa de 11 por cento para quase 14 por cento.
Sabemos que Jorge Coelho é um socialista todo-poderoso.
Recordamos que Jorge Coelho ficou conhecido, quando era ministro, por ter proferido a célebre ameaça: “quem se mete com o PS leva”.
Este contrato, tendo em consideração as conclusões do Tribunal de Contas, ficará para a história como exemplo das “negociatas” favorecidas pela promiscuidade entre a política e os negócios.
Mas o mais chocante é que perante as conclusões do Tribunal de Contas não existam consequências para os autores.
Como é possível que o Ministro não tenha sido imediatamente demitido?
A nossa democracia enfrenta uma grave crise.
Um dos aspectos mais negativos é a promiscuidade entre a política e os negócios como fonte de corrupção.
(Publicado no Diário de Coimbra em 11.08.2009)
segunda-feira, 27 de julho de 2009
A Gripe A
O Mundo vive alguma insensatez. As sociedades mostram-se muito subjugadas a uma comunicação social muitas vezes acrítica.
Veja-se o caso da gripe suína, ou gripe A, que tem mobilizado imenso tempo de antena e obrigado os Estados a despender enormes recursos para evitar a “pandemia”.
Em Portugal são cerca de duas centenas de infectados e nenhuma morte mas quando a vacina estiver disponível serão, só em Portugal, vendidos muitos milhões de euros.
Aprecie-se a rapidez. A gripe suína surgiu há meses e já vai haver vacina em Setembro, Outubro…
Outras doenças continuam sem vacinas.
A malária continua a matar diariamente africanos e a sida a matar milhões de pessoas que não têm recursos para pagar os retrovirais.
Em Portugal, em cada inverno, em consequência da gripe, dita sazonal, morrem entre 1.500 a 2.500 pessoas, sem qualquer notícia na comunicação social.
Morrem por ano 2 milhões de crianças no mundo com diarreia, doença evitável com um simples soro que custa apenas 25 cêntimos.
O sarampo, a pneumonia e outras doenças similares, curáveis com simples vacinas baratas, matam cerca de 10 milhões de pessoas por ano.
São só simples mortes de gente que já não alimentam notícias nem interesses económicos. E estas mortes acontecem mesmo com a vacina para a gripe sazonal…
Perante as duas centenas de engripados em Portugal, quase na totalidade já curados, mobilizam-se imensos recursos humanos e financeiros.
Em contraponto assusta a insensibilidade política que fecha os olhos ao facto de, só nos primeiros 5 meses do ano, 41 mulheres terem sido mortas pela violência machista.
Assusta que nem se noticiem as centenas de pessoas que continuam a morrer nas nossas estradas em cada ano, só porque o Estado se demite de fazer a fiscalização, a educação e a prevenção adequadas.
Assusta que pessoas com cancro continuem em lista de espera para cirurgias que as possam salvar…
Sem colocar em causa as necessárias medidas preventivas para impedir a propagação da doença, que devem ser implementadas, uma pergunta não pode ficar por fazer. Que interesses económicos estão por trás da gripe A?
Há alguns anos também todos nos recordamos da famosa gripe das aves.
As primeiras páginas dos jornais de todo o mundo inundaram-se de notícias com títulos bombásticos: “Uma epidemia, a mais perigosa de todas... Uma pandemia”.
Tal como agora o pânico instalou-se.
A gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas em todo o mundo, em 10 anos. Ou seja 25 mortos por ano.
A gripe comum, mata por ano cerca de meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra vinte e cinco.
Mas para o combate à gripe das aves foram vendidos milhões de doses de Tamiflú. As empresas farmacêuticas que venderam estes antivirais, obtiveram milhões de euros de lucro.
Com a gripe suína a história repete-se. O clima de pânico instalou-se de novo, os governos voltam a encomendar, aos mesmos laboratórios, milhões de euros de vacinas.
Em Portugal a senhora ministra parece uma “barata tonta” a correr para a televisão e a falar sobre a pandemia.
Também ela mostra grande preocupação em adquirir vacinas, para prevenir uma gripe que até ao momento mostrou ser suave e, tal como a gripe habitual, só ser perigosa para pessoas debilitadas, com sida ou outras doenças crónicas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 29.07.2009)
Veja-se o caso da gripe suína, ou gripe A, que tem mobilizado imenso tempo de antena e obrigado os Estados a despender enormes recursos para evitar a “pandemia”.
Em Portugal são cerca de duas centenas de infectados e nenhuma morte mas quando a vacina estiver disponível serão, só em Portugal, vendidos muitos milhões de euros.
Aprecie-se a rapidez. A gripe suína surgiu há meses e já vai haver vacina em Setembro, Outubro…
Outras doenças continuam sem vacinas.
A malária continua a matar diariamente africanos e a sida a matar milhões de pessoas que não têm recursos para pagar os retrovirais.
Em Portugal, em cada inverno, em consequência da gripe, dita sazonal, morrem entre 1.500 a 2.500 pessoas, sem qualquer notícia na comunicação social.
Morrem por ano 2 milhões de crianças no mundo com diarreia, doença evitável com um simples soro que custa apenas 25 cêntimos.
O sarampo, a pneumonia e outras doenças similares, curáveis com simples vacinas baratas, matam cerca de 10 milhões de pessoas por ano.
São só simples mortes de gente que já não alimentam notícias nem interesses económicos. E estas mortes acontecem mesmo com a vacina para a gripe sazonal…
Perante as duas centenas de engripados em Portugal, quase na totalidade já curados, mobilizam-se imensos recursos humanos e financeiros.
Em contraponto assusta a insensibilidade política que fecha os olhos ao facto de, só nos primeiros 5 meses do ano, 41 mulheres terem sido mortas pela violência machista.
Assusta que nem se noticiem as centenas de pessoas que continuam a morrer nas nossas estradas em cada ano, só porque o Estado se demite de fazer a fiscalização, a educação e a prevenção adequadas.
Assusta que pessoas com cancro continuem em lista de espera para cirurgias que as possam salvar…
Sem colocar em causa as necessárias medidas preventivas para impedir a propagação da doença, que devem ser implementadas, uma pergunta não pode ficar por fazer. Que interesses económicos estão por trás da gripe A?
Há alguns anos também todos nos recordamos da famosa gripe das aves.
As primeiras páginas dos jornais de todo o mundo inundaram-se de notícias com títulos bombásticos: “Uma epidemia, a mais perigosa de todas... Uma pandemia”.
Tal como agora o pânico instalou-se.
A gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas em todo o mundo, em 10 anos. Ou seja 25 mortos por ano.
A gripe comum, mata por ano cerca de meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra vinte e cinco.
Mas para o combate à gripe das aves foram vendidos milhões de doses de Tamiflú. As empresas farmacêuticas que venderam estes antivirais, obtiveram milhões de euros de lucro.
Com a gripe suína a história repete-se. O clima de pânico instalou-se de novo, os governos voltam a encomendar, aos mesmos laboratórios, milhões de euros de vacinas.
Em Portugal a senhora ministra parece uma “barata tonta” a correr para a televisão e a falar sobre a pandemia.
Também ela mostra grande preocupação em adquirir vacinas, para prevenir uma gripe que até ao momento mostrou ser suave e, tal como a gripe habitual, só ser perigosa para pessoas debilitadas, com sida ou outras doenças crónicas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 29.07.2009)
quarta-feira, 22 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Caritas in Veritate

No dia 7 do corrente foi apresentada, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a nova encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate (Caridade na verdade).
O documento aborda temas sociais e económicos e conforme o próprio Bento XVI referiu "este documento, (...) pretende aprofundar alguns aspectos do desenvolvimento integral da nossa época, à luz da caridade na verdade".
O Papa Bento XVI com este documento empenha-se na luta contra a fome, numa reinvenção da ética, na tentativa de reconstruir o novo mundo (mais limpo e mais sustentável), no combate às desigualdades sociais e ao drama do desemprego (ou da precariedade no trabalho).
Tudo riscos para a democracia e que se não forem severa e rapidamente atalhados colocam em causa a nossa própria sobrevivência civilizacional.
O progresso necessita da verdade. Sem ela, afirma o Pontífice, "a actividade social acaba à mercê de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade".
O Pontífice evidencia que "as causas do subdesenvolvimento não são primariamente de ordem material".
Elas estão, antes de tudo, na vontade, no pensamento e, mais ainda, "na falta de fraternidade entre os homens e entre os povos".
"A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos". É necessária mobilização, para que a economia evolua "para metas plenamente humanas".
.: Leia a Encíclica na íntregra
quarta-feira, 15 de julho de 2009
“Roubalheira” na Banca
Na campanha eleitoral para o parlamento europeu Vital Moreira denunciou aquilo que classificou de “roubalheira” no banco BPN.
Fê-lo tentando prejudicar o PSD, uma vez que alguns dos protagonistas foram políticos ligados a governos de Cavaco Silva.
Não explicou a razão porque o governo socialista tem sido aparentemente tão diligente em abafar esta “roubalheira”.
O BPN foi vítima de uma gigantesca burla, sugestiva de actividades criminosas, que o levou a uma situação de falência eminente.
O Governo, através da Caixa Geral de Depósitos, nacionalizou o BPN. Já lá Injectou 2,5 mil milhões de euros.
Neste “negócio” admite-se que o Estado venha a recuperar algum do dinheiro investido mas especialistas consideram que nunca perderá menos de mil milhões de euros.
Não nos surpreende que gente pouco séria tenha caído na tentação de enriquecer por métodos ilícitos.
Indigna-nos que o governo apareça no processo a branquear a situação, cobrindo, com o nosso dinheiro, as contas que os criminosos colocaram a descoberto.
Enquanto isso alguns habilidosos “abotoaram-se” com o dinheiro.
Concordamos com Vital Moreira ao classificar a situação de “roubalheira”. Não percebemos porque defende um governo que protege os criminosos e paga a despesa dos seus actos.
No caso do BPP os depositantes têm afirmado que terão sido enganados. Afirmam ter feito depósitos, convencidos que tinham o capital garantido, desconhecendo que as suas aplicações eram feitas em produtos de risco. Exigem por essa razão que o Governo lhes garanta os depósitos.
O Governo já veio garantir que cobrirá todas as contas mesmo as que excedem os 100 mil euros garantidos pelo fundo de garantia.
É evidente que há culpados nesta “roubalheira”. Há até um arguido preso.
Mas a opinião generalizada dos portugueses é que mais ninguém será preso, Oliveira e Costa será rapidamente libertado e os processos arrastar-se-ão durante anos, sem consequências, até serem arquivados por descrédito ou acabarem por prescrever.
O Partido Socialista na Assembleia da República apressou-se a desresponsabilizar o governador do Banco de Portugal, entidade a quem competia a supervisão do sistema bancário.
Vítor Constâncio, em vez de ter apresentado de imediato a sua demissão, como lhe competia, protegido pelo Governo optou por tratar os deputados com uma arrogância completamente desadequada, como se estivesse acima de todos os poderes.
A mega fraude de Bernard Madoff foi descoberta nos Estados Unidos em Dezembro de 2008.
Madoff foi preso, os seus bens confiscados, bem como os de alguns colaboradores, e a sentença judicial foi conhecida em Junho de 2009.
Qualquer semelhança entre a eficiência do sistema de justiça nos Estados Unidos e em Portugal é pura coincidência.
Por cá temos um banqueiro preso preventivamente, alguns arguidos em liberdade e muitos milhões apropriados por ambiciosos, respeitáveis, sem escrúpulos.
Os casos que envolvem o BCP, BPP e BPN mostram que somos um país dominado por um sistema judicial inoperante.
Somos um país de tipos “porreiros”, que admiram e premeiam os chico espertos.
(Publicado no Diário de Coimbra em 14.07.2009)
Fê-lo tentando prejudicar o PSD, uma vez que alguns dos protagonistas foram políticos ligados a governos de Cavaco Silva.
Não explicou a razão porque o governo socialista tem sido aparentemente tão diligente em abafar esta “roubalheira”.
O BPN foi vítima de uma gigantesca burla, sugestiva de actividades criminosas, que o levou a uma situação de falência eminente.
O Governo, através da Caixa Geral de Depósitos, nacionalizou o BPN. Já lá Injectou 2,5 mil milhões de euros.
Neste “negócio” admite-se que o Estado venha a recuperar algum do dinheiro investido mas especialistas consideram que nunca perderá menos de mil milhões de euros.
Não nos surpreende que gente pouco séria tenha caído na tentação de enriquecer por métodos ilícitos.
Indigna-nos que o governo apareça no processo a branquear a situação, cobrindo, com o nosso dinheiro, as contas que os criminosos colocaram a descoberto.
Enquanto isso alguns habilidosos “abotoaram-se” com o dinheiro.
Concordamos com Vital Moreira ao classificar a situação de “roubalheira”. Não percebemos porque defende um governo que protege os criminosos e paga a despesa dos seus actos.
No caso do BPP os depositantes têm afirmado que terão sido enganados. Afirmam ter feito depósitos, convencidos que tinham o capital garantido, desconhecendo que as suas aplicações eram feitas em produtos de risco. Exigem por essa razão que o Governo lhes garanta os depósitos.
O Governo já veio garantir que cobrirá todas as contas mesmo as que excedem os 100 mil euros garantidos pelo fundo de garantia.
É evidente que há culpados nesta “roubalheira”. Há até um arguido preso.
Mas a opinião generalizada dos portugueses é que mais ninguém será preso, Oliveira e Costa será rapidamente libertado e os processos arrastar-se-ão durante anos, sem consequências, até serem arquivados por descrédito ou acabarem por prescrever.
O Partido Socialista na Assembleia da República apressou-se a desresponsabilizar o governador do Banco de Portugal, entidade a quem competia a supervisão do sistema bancário.
Vítor Constâncio, em vez de ter apresentado de imediato a sua demissão, como lhe competia, protegido pelo Governo optou por tratar os deputados com uma arrogância completamente desadequada, como se estivesse acima de todos os poderes.
A mega fraude de Bernard Madoff foi descoberta nos Estados Unidos em Dezembro de 2008.
Madoff foi preso, os seus bens confiscados, bem como os de alguns colaboradores, e a sentença judicial foi conhecida em Junho de 2009.
Qualquer semelhança entre a eficiência do sistema de justiça nos Estados Unidos e em Portugal é pura coincidência.
Por cá temos um banqueiro preso preventivamente, alguns arguidos em liberdade e muitos milhões apropriados por ambiciosos, respeitáveis, sem escrúpulos.
Os casos que envolvem o BCP, BPP e BPN mostram que somos um país dominado por um sistema judicial inoperante.
Somos um país de tipos “porreiros”, que admiram e premeiam os chico espertos.
(Publicado no Diário de Coimbra em 14.07.2009)
quinta-feira, 9 de julho de 2009
O Nacional Porreirismo e a Justiça
A mega fraude de Bernard Madoff foi descoberta em Dezembro de 2008. Madoff foi preso, os seus bens confiscados, bem como os de alguns colaboradores, e a sentença judicial foi conhecida em Junho de 2009.
Qualquer semelhança entre a eficiência do sistema de justiça nos Estados Unidos e em Portugal é pura coincidência.
Os casos que envolvem o BCP, BPP e BPN mostram que somos um país dominado por um sistema judicial inoperante.
Somos um país de tipos porreiros, que admiram e premeiam os chico espertos. Por cá temos um banqueiro preso preventivamente, alguns arguidos em liberdade e muitos milhões apropriados por ambiciosos, respeitáveis, sem escrúpulos.
Se fosse um cigano a enganar um qualquer incauto não temos duvida que teria de ser julgado. Como aqui os vigários são banqueiros veremos qual vai ser a actuação da justiça.
Qualquer semelhança entre a eficiência do sistema de justiça nos Estados Unidos e em Portugal é pura coincidência.
Os casos que envolvem o BCP, BPP e BPN mostram que somos um país dominado por um sistema judicial inoperante.
Somos um país de tipos porreiros, que admiram e premeiam os chico espertos. Por cá temos um banqueiro preso preventivamente, alguns arguidos em liberdade e muitos milhões apropriados por ambiciosos, respeitáveis, sem escrúpulos.
Se fosse um cigano a enganar um qualquer incauto não temos duvida que teria de ser julgado. Como aqui os vigários são banqueiros veremos qual vai ser a actuação da justiça.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Haja Bom Senso
Neste espaço tenho vindo a alertar para o enorme erro que é a aposta do Governo na execução de obras públicas megalómanas.
No 10 de Junho o Presidente da República chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia de médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Há cerca de uma semana um grupo de 28 economistas de referência, entre os quais vários ex-ministros do PS, vieram a público alertar para a mesma situação.
No documento que divulgaram referem que: “A insistência em grandes investimentos públicos, de baixa ou nula rentabilidade, e com fraca criação de emprego em Portugal, não é o caminho no combate à crise económica. São projectos que exigem a mobilização de recursos avultados, com elevados impactos na dívida externa, e na dívida pública, e com custos de oportunidade significativos no ataque às nossas verdadeiras fraquezas estruturais e no crescimento sustentado da economia.”
Segundo uma sondagem da Marktest para a TSF e Diário Económico, divulgada ontem, dois em cada três portugueses (73,9%) acha que Portugal deve reavaliar a execução das grandes obras públicas, nomeadamente o TGV, o novo aeroporto e a terceira ponte em Lisboa.
Mesmo agora, perante a crise, indiferente aos vários alertas e à opinião dos portugueses, o Governo parece teimosamente decidido em apostar no apoio às grandes empresas, promovendo investimentos megalómanos.
O Governo quer endividar o País obrigando os portugueses, que já vivem com dificuldades, a pagar mais impostos para suportar loucuras insustentáveis e financeiramente ruinosas.
Não significa isto que esteja contra o investimento público. O investimento público é necessário.
Considero contudo que esse investimento deve ser criteriosamente distribuído pelo território nacional, tendo como principal objectivo os investimentos geradores de riqueza e que permitam a criação de postos de trabalho, bem como os que promovam a coesão territorial, tais como as vias de ligação dos vários concelhos às respectivas sedes de distrito e a recuperação dos monumentos classificados.
O governo deveria lançar medidas de salvação nacional a nível económico, incentivando e apoiando as Pequenas e Médias Empresas através de pequenos investimentos disseminados pelo país e não concentrados na grande Lisboa.
No imobiliário é preciso deixar de construir bairros novos, apoiando antes os proprietários na recuperação das casas antigas que, um pouco por todo o país, vão ficando em ruínas.
Só estímulos às Pequenas e Médias Empresas (PME’s) serão capazes de reanimar a economia, impedindo o desemprego crescente.
Em Portugal encerraram 60 mil PME’s entre Janeiro de 2008 e Abril de 2009. As PME’s empregam 70% da população activa.
O presidente da Confederação Europeia das PME’s, Mário Ohoven, alertou para que em Portugal só a manipulação política e o tráfico de influências podem explicar que as grandes empresas tenham o privilégio de aceder aos fundos europeus em detrimento das PME’s. Segundo este importante dirigente alemão, o Governo português está dependente dos lobbies das grandes empresas.
É fundamental que o Governo perceba que deve apoiar a economia real e não os especuladores financeiros que não criam emprego. É necessário que o Governo deixe de olhar só para as grandes empresas.
Perante a evidência do desastre económico provocado pela febre despesista, surpreende que o Governo continue a endividar-se apostando tudo em obras de betão.
Corremos o risco de a curto prazo termos um estado arruinado, que tem de canalizar todos os nossos impostos para sustentar o pagamento da divida.
Impõe-se como tal, em nome do interesse nacional, que o Governo proceda a uma reavaliação profunda dos mega-investimentos públicos na área dos transportes.
A solução para a crise do país não passa pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa, o TGV ou uma nova ponte em Lisboa.
O país precisa de novas estratégias para um desenvolvimento coeso e sustentado.
(Publicado no Diário de Coimbra em 30.06.2009)
No 10 de Junho o Presidente da República chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia de médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Há cerca de uma semana um grupo de 28 economistas de referência, entre os quais vários ex-ministros do PS, vieram a público alertar para a mesma situação.
No documento que divulgaram referem que: “A insistência em grandes investimentos públicos, de baixa ou nula rentabilidade, e com fraca criação de emprego em Portugal, não é o caminho no combate à crise económica. São projectos que exigem a mobilização de recursos avultados, com elevados impactos na dívida externa, e na dívida pública, e com custos de oportunidade significativos no ataque às nossas verdadeiras fraquezas estruturais e no crescimento sustentado da economia.”
Segundo uma sondagem da Marktest para a TSF e Diário Económico, divulgada ontem, dois em cada três portugueses (73,9%) acha que Portugal deve reavaliar a execução das grandes obras públicas, nomeadamente o TGV, o novo aeroporto e a terceira ponte em Lisboa.
Mesmo agora, perante a crise, indiferente aos vários alertas e à opinião dos portugueses, o Governo parece teimosamente decidido em apostar no apoio às grandes empresas, promovendo investimentos megalómanos.
O Governo quer endividar o País obrigando os portugueses, que já vivem com dificuldades, a pagar mais impostos para suportar loucuras insustentáveis e financeiramente ruinosas.
Não significa isto que esteja contra o investimento público. O investimento público é necessário.
Considero contudo que esse investimento deve ser criteriosamente distribuído pelo território nacional, tendo como principal objectivo os investimentos geradores de riqueza e que permitam a criação de postos de trabalho, bem como os que promovam a coesão territorial, tais como as vias de ligação dos vários concelhos às respectivas sedes de distrito e a recuperação dos monumentos classificados.
O governo deveria lançar medidas de salvação nacional a nível económico, incentivando e apoiando as Pequenas e Médias Empresas através de pequenos investimentos disseminados pelo país e não concentrados na grande Lisboa.
No imobiliário é preciso deixar de construir bairros novos, apoiando antes os proprietários na recuperação das casas antigas que, um pouco por todo o país, vão ficando em ruínas.
Só estímulos às Pequenas e Médias Empresas (PME’s) serão capazes de reanimar a economia, impedindo o desemprego crescente.
Em Portugal encerraram 60 mil PME’s entre Janeiro de 2008 e Abril de 2009. As PME’s empregam 70% da população activa.
O presidente da Confederação Europeia das PME’s, Mário Ohoven, alertou para que em Portugal só a manipulação política e o tráfico de influências podem explicar que as grandes empresas tenham o privilégio de aceder aos fundos europeus em detrimento das PME’s. Segundo este importante dirigente alemão, o Governo português está dependente dos lobbies das grandes empresas.
É fundamental que o Governo perceba que deve apoiar a economia real e não os especuladores financeiros que não criam emprego. É necessário que o Governo deixe de olhar só para as grandes empresas.
Perante a evidência do desastre económico provocado pela febre despesista, surpreende que o Governo continue a endividar-se apostando tudo em obras de betão.
Corremos o risco de a curto prazo termos um estado arruinado, que tem de canalizar todos os nossos impostos para sustentar o pagamento da divida.
Impõe-se como tal, em nome do interesse nacional, que o Governo proceda a uma reavaliação profunda dos mega-investimentos públicos na área dos transportes.
A solução para a crise do país não passa pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa, o TGV ou uma nova ponte em Lisboa.
O país precisa de novas estratégias para um desenvolvimento coeso e sustentado.
(Publicado no Diário de Coimbra em 30.06.2009)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Erro das Grandes Obras
As comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, ficaram este ano marcadas pelas intervenções do Presidente da República e de António Barreto, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações.
O Presidente da República defendeu a aposta na educação e no mundo rural como forma de conseguir um ordenamento territorial, a coesão do todo nacional e o combate ao despovoamento do interior.
Cavaco Silva chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia a médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Referiu que é preciso agir "com determinação, sentido estratégico e capacidade de mobilizar esforços e vontades" e apostar no que é "essencial para o aumento da nossa capacidade competitiva".
Defendeu ainda que "é necessário ter (...) a coragem de encarar a verdade dos factos e proceder às mudanças que sejam necessárias".
O Governo fazendo “ouvidos de mercador” da mensagem do Presidente da República continua a defender o avanço das grandes obras públicas.
Esta aposta do Governo assenta em três erros enormes.
Retira dinheiro da economia real para o concentrar nos grandes grupos financeiros.
Num país com recursos escassos consome o que tem e não tem em obras de utilidade imediata duvidosa, como é o caso do TGV e do novo aeroporto de Lisboa.
Como estas obras vão ser feitas com base no endividamento compromete ainda mais o nosso futuro.
Para muitos especialistas é no mínimo questionável a opção de contrariar a crise através de um maior endividamento do Estado.
A mim parece-me uma evidente loucura.
Todos sabemos que quando uma família está numa situação difícil, não conseguindo pagar as suas dívidas, a solução não passa por contrair mais dívidas.
A solução exige novas receitas ou menos despesa.
As dificuldades presentes decorrem da situação de crise internacional mas não nos podemos esquecer que Portugal tem vindo, nos últimos anos, a fazer pior e menos que os restantes países da UE.
Esta opinião, dos que defendem que se endivide ainda mais o país, só é possível porque interessa a alguns grupos financeiros e às grandes construtoras, que se habituaram a viver à custa do Estado.
O país precisa de novas estratégias de desenvolvimento.
Necessita de indústrias competitivas, de desenvolver as pescas, de modernizar a agricultura, de aproveitar o território a o espaço florestal, de melhorar e ampliar o sector do turismo… Mas estas áreas são arriscadas, exigem trabalho e esforço. É mais fácil ganhar dinheiro sem risco à custa dos grandes negócios com o Estado.
A solução para a crise do país não passa pelo aumento do endividamento nem pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa ou o TGV.
A opção de agravar o endividamento é uma solução oportunista, para o Governo ganhar eleições, mas que vai comprometer o futuro do país durante muitos anos.
As loucuras que o Governo agora cometer a gastar dinheiro sem “tino” serão pagas por todos nós, com juros, nos próximos anos ou décadas.
A crise económica, o desemprego, a pobreza e a baixa natalidade são factores que deprimem os portugueses.
Segundo um estudo/sondagem publicado recentemente no jornal britânico The Economist, os portugueses são os cidadãos mais tristes e desmotivados da Europa, só igualados pelos povos de leste da Hungria e Bulgária.
Tudo isto porque Portugal já foi, em termos de crescimento, ultrapassado por todos os países da Europa, segundo o mesmo jornal.
Perante a enorme crise de confiança em que o país se encontra exigem-se políticos capazes de definirem políticas que conduzam Portugal a dobrar este novo “Cabo das Tormentas”.
O engenheiro Sócrates é um homem desgastado.
As várias histórias em que se tem visto envolvido debilitaram-no.
Portugal não pode ter à sua frente políticos enfraquecidos, mais preocupados com a defesa da sua imagem do que com a governação do país.
(Publicado no Diário de Coimbra em 16.06.2009)
O Presidente da República defendeu a aposta na educação e no mundo rural como forma de conseguir um ordenamento territorial, a coesão do todo nacional e o combate ao despovoamento do interior.
Cavaco Silva chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia a médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Referiu que é preciso agir "com determinação, sentido estratégico e capacidade de mobilizar esforços e vontades" e apostar no que é "essencial para o aumento da nossa capacidade competitiva".
Defendeu ainda que "é necessário ter (...) a coragem de encarar a verdade dos factos e proceder às mudanças que sejam necessárias".
O Governo fazendo “ouvidos de mercador” da mensagem do Presidente da República continua a defender o avanço das grandes obras públicas.
Esta aposta do Governo assenta em três erros enormes.
Retira dinheiro da economia real para o concentrar nos grandes grupos financeiros.
Num país com recursos escassos consome o que tem e não tem em obras de utilidade imediata duvidosa, como é o caso do TGV e do novo aeroporto de Lisboa.
Como estas obras vão ser feitas com base no endividamento compromete ainda mais o nosso futuro.
Para muitos especialistas é no mínimo questionável a opção de contrariar a crise através de um maior endividamento do Estado.
A mim parece-me uma evidente loucura.
Todos sabemos que quando uma família está numa situação difícil, não conseguindo pagar as suas dívidas, a solução não passa por contrair mais dívidas.
A solução exige novas receitas ou menos despesa.
As dificuldades presentes decorrem da situação de crise internacional mas não nos podemos esquecer que Portugal tem vindo, nos últimos anos, a fazer pior e menos que os restantes países da UE.
Esta opinião, dos que defendem que se endivide ainda mais o país, só é possível porque interessa a alguns grupos financeiros e às grandes construtoras, que se habituaram a viver à custa do Estado.
O país precisa de novas estratégias de desenvolvimento.
Necessita de indústrias competitivas, de desenvolver as pescas, de modernizar a agricultura, de aproveitar o território a o espaço florestal, de melhorar e ampliar o sector do turismo… Mas estas áreas são arriscadas, exigem trabalho e esforço. É mais fácil ganhar dinheiro sem risco à custa dos grandes negócios com o Estado.
A solução para a crise do país não passa pelo aumento do endividamento nem pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa ou o TGV.
A opção de agravar o endividamento é uma solução oportunista, para o Governo ganhar eleições, mas que vai comprometer o futuro do país durante muitos anos.
As loucuras que o Governo agora cometer a gastar dinheiro sem “tino” serão pagas por todos nós, com juros, nos próximos anos ou décadas.
A crise económica, o desemprego, a pobreza e a baixa natalidade são factores que deprimem os portugueses.
Segundo um estudo/sondagem publicado recentemente no jornal britânico The Economist, os portugueses são os cidadãos mais tristes e desmotivados da Europa, só igualados pelos povos de leste da Hungria e Bulgária.
Tudo isto porque Portugal já foi, em termos de crescimento, ultrapassado por todos os países da Europa, segundo o mesmo jornal.
Perante a enorme crise de confiança em que o país se encontra exigem-se políticos capazes de definirem políticas que conduzam Portugal a dobrar este novo “Cabo das Tormentas”.
O engenheiro Sócrates é um homem desgastado.
As várias histórias em que se tem visto envolvido debilitaram-no.
Portugal não pode ter à sua frente políticos enfraquecidos, mais preocupados com a defesa da sua imagem do que com a governação do país.
(Publicado no Diário de Coimbra em 16.06.2009)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Discurso do Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas no 10 de Junho

O sociólogo António Barreto, no discurso do 10 de Junho, desafiou as elites e os vários poderes, do político ao empresarial, a serem exemplos para o resto da sociedade portuguesa.
Leia o discurso completo AQUI.
José Manuel Fernandes, Director do Público, comentou no Twitter: "Discurso de António Barreto no 10 de Junho é dos melhores que ouvi nos últimos anos. Afixem-no em toda a parte: escolas, repartições, tribunais, empresas."
A avaliação da frequência de utilização das palavras no discurso de António Barreto, vista pelo Wordle:
Discurso do Presidente da República no 10 de Junho

Cavaco Silva no discurso do 10 de Junho, em Santarém, alertou para a necessidade de uma "estratégia a médio e longo prazo" para o país.
Leia o discurso completo AQUI.
A avaliação da frequência de utilização das palavras no discurso de Presidente da República, vista pelo Wordle:
quarta-feira, 3 de junho de 2009
O Santo Condestável, o Governo e a Igreja
O herói nacional, Condestável D. Nuno Alves Pereira, foi considerado Santo.
Os portugueses sabem que lhe devem a independência nacional conquistada na batalha de Aljubarrota.
Sem ele seriamos hoje provavelmente uma região de Espanha. É sem duvida uma das figuras maiores da nossa história.
A Igreja, avaliando as suas qualidades humanas atribui-lhe o titulo de Santo.
Para os historiadores foi um exemplo de humanismo ao reconhecer aos vencidos o estatuto de pessoas dignas de respeito.
Em vez de os massacrar ou tratar de forma indigna, como acontecia na época, o Condestável criou condições para os castelhanos feridos na batalha terem cuidados de saúde e apoio na alimentação. Foi talvez um dos primeiros momentos na história da humanidade onde os vencedores trataram os vencidos de forma digna, como prisioneiros de guerra, com direitos reconhecidos.
Sendo uma das pessoas mais ricas do reino veio a abdicar de toda a sua fortuna para entrar num convento como frade Carmelita, em 1423, e dedicou a sua vida à causa da defesas dos mais pobres.
O Papa considerou São Nuno um exemplo para a sociedade actual tendo salientado o seu despojamento. A Santa Sé apresentou o novo Santo como um dos homens mais ricos de Portugal que por amor a Deus se fez pobre, distribuindo os seus bens pela Igreja, pelos pobres, pela família e pelos antigos companheiros de armas.
Nem sempre temos portugueses a verem os seus méritos reconhecidos internacionalmente.
É um momento de satisfação, não só para os crentes, sentir que a Igreja reconhece as qualidades deste herói nacional.
Infelizmente o Governo alheou-se do processo, parecendo ter vergonha de se associar e de se congratular com a decisão da Igreja Católica.
Este é um Governo que tem sistematicamente mostrado alguma dificuldade de convivência com a religião, particularmente com a Igreja Católica. Com frequência opta por políticas ditas fracturantes, que mais não são que afrontar a doutrina da Igreja.
Este Governo é capaz de festejar com entusiasmo qualquer pequena vitória desportiva mas mostrou uma enorme incapacidade de reconhecer com a dignidade merecida a decisão de canonizar Frei Nuno de Santa Maria.
D. José Policarpo afirmou que Frei Nuno de Santa Maria é inconciliável com a mediocridade e que o Governo convive mal com a Igreja
Para agradar aos radicais o Governo incentiva o aborto, isentando as mulheres de pagar taxas moderadoras, mas se uma mulher quiser engravidar e precisar de apoio para ultrapassar a sua esterilidade o Governo já não a apoia com a mesma celeridade e gratuitidade.
O PS quer incentivar o casamento dos homossexuais mas não cria políticas que incentivem as famílias a poder ter mais filhos.
Um relatório recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) demonstra que os apoios concedidos às famílias portuguesas, para apoio à natalidade, continuam muito abaixo da média internacional.
O Governo facilita o divórcio mas recusa criar uma fiscalidade que apoie as famílias a enfrentarem tantas dificuldades.
Vem agora o PS querer distribuir preservativos nas escolas criando nas crianças a ideia que fazer sexo é tão fácil e natural como beber um copo de água.
Sexo seguro não é incentivar a promiscuidade nem banalizar o sexo. Combater a SIDA e as gravidezes de mães menores passa por dignificar a família, ensinar os jovens que devem controlar os seus instintos e valorizar o amor.
É um Governo que se comporta com a Igreja como aqueles miúdos que batem e fogem. Pela frente simpatia mas sempre que pode vai dando umas caneladas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 02.06.2009)
Os portugueses sabem que lhe devem a independência nacional conquistada na batalha de Aljubarrota.
Sem ele seriamos hoje provavelmente uma região de Espanha. É sem duvida uma das figuras maiores da nossa história.
A Igreja, avaliando as suas qualidades humanas atribui-lhe o titulo de Santo.
Para os historiadores foi um exemplo de humanismo ao reconhecer aos vencidos o estatuto de pessoas dignas de respeito.
Em vez de os massacrar ou tratar de forma indigna, como acontecia na época, o Condestável criou condições para os castelhanos feridos na batalha terem cuidados de saúde e apoio na alimentação. Foi talvez um dos primeiros momentos na história da humanidade onde os vencedores trataram os vencidos de forma digna, como prisioneiros de guerra, com direitos reconhecidos.
Sendo uma das pessoas mais ricas do reino veio a abdicar de toda a sua fortuna para entrar num convento como frade Carmelita, em 1423, e dedicou a sua vida à causa da defesas dos mais pobres.
O Papa considerou São Nuno um exemplo para a sociedade actual tendo salientado o seu despojamento. A Santa Sé apresentou o novo Santo como um dos homens mais ricos de Portugal que por amor a Deus se fez pobre, distribuindo os seus bens pela Igreja, pelos pobres, pela família e pelos antigos companheiros de armas.
Nem sempre temos portugueses a verem os seus méritos reconhecidos internacionalmente.
É um momento de satisfação, não só para os crentes, sentir que a Igreja reconhece as qualidades deste herói nacional.
Infelizmente o Governo alheou-se do processo, parecendo ter vergonha de se associar e de se congratular com a decisão da Igreja Católica.
Este é um Governo que tem sistematicamente mostrado alguma dificuldade de convivência com a religião, particularmente com a Igreja Católica. Com frequência opta por políticas ditas fracturantes, que mais não são que afrontar a doutrina da Igreja.
Este Governo é capaz de festejar com entusiasmo qualquer pequena vitória desportiva mas mostrou uma enorme incapacidade de reconhecer com a dignidade merecida a decisão de canonizar Frei Nuno de Santa Maria.
D. José Policarpo afirmou que Frei Nuno de Santa Maria é inconciliável com a mediocridade e que o Governo convive mal com a Igreja
Para agradar aos radicais o Governo incentiva o aborto, isentando as mulheres de pagar taxas moderadoras, mas se uma mulher quiser engravidar e precisar de apoio para ultrapassar a sua esterilidade o Governo já não a apoia com a mesma celeridade e gratuitidade.
O PS quer incentivar o casamento dos homossexuais mas não cria políticas que incentivem as famílias a poder ter mais filhos.
Um relatório recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) demonstra que os apoios concedidos às famílias portuguesas, para apoio à natalidade, continuam muito abaixo da média internacional.
O Governo facilita o divórcio mas recusa criar uma fiscalidade que apoie as famílias a enfrentarem tantas dificuldades.
Vem agora o PS querer distribuir preservativos nas escolas criando nas crianças a ideia que fazer sexo é tão fácil e natural como beber um copo de água.
Sexo seguro não é incentivar a promiscuidade nem banalizar o sexo. Combater a SIDA e as gravidezes de mães menores passa por dignificar a família, ensinar os jovens que devem controlar os seus instintos e valorizar o amor.
É um Governo que se comporta com a Igreja como aqueles miúdos que batem e fogem. Pela frente simpatia mas sempre que pode vai dando umas caneladas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 02.06.2009)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A Fuga dos Lucros para o Estrangeiro
Já aqui recordei que um dos principais problemas do País reside no facto de uma parte significativa dos lucros das empresas multinacionais sair de Portugal, beneficiando outras economias.
Portugal, que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
Repare-se que só a espanhola Iberdrola, que detém unicamente 9,5% da portuguesa EDP, recebeu 43,2 milhões de euros de dividendos em 2007.
Em Portugal a EDP vende a energia a um valor superior às suas congéneres europeias, fabricando artificialmente lucros, que não só não ficam em Portugal como vão contribuir para o enriquecimento de economias concorrentes com a nossa.
Idêntica situação se verifica na “portuguesa” GALP.
Em resultado dos impostos aplicados pelo Governo nos produtos petrolíferos e de margens de comercialização excessiva, os portugueses, tal como acontece com a electricidade, pagam a gasolina e o gasóleo acima dos valores praticados em muitos outros países onde os salários e o nível de vida são superiores aos nossos.
Esta “exploração” dos portugueses ainda seria de tolerar se os lucros ficassem em Portugal e contribuíssem para dinamizar a nossa economia.
Infelizmente uma percentagem elevada pertence a accionistas estrangeiros que se limitam a vir aqui buscar lucros elevados, claramente especulativos, perante o silêncio do Governo.
Em 2008 mais de 3% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) foi parar à mão de estrangeiros. O ano passado, mais de 6,58 mil milhões de euros da riqueza gerada em Portugal saiu do país.
Curiosamente em 2003 este valor foi só de 1,85 mil milhões, menos de um terço.
De 2003 a 2008 a riqueza transferida para o estrangeiro cresceu 355,6% (mais de trezentos e cinquenta e cinco por cento) o que não permite qualquer comparação com o aumento dos salários no mesmo período.
São números que constituem um verdadeiro escândalo e que só são possíveis por uma demissão clara dos nossos governantes, aparentemente mais interessados em promover interesses privados, com capitais estrangeiros, do que em defender o interesse público nacional.
Recentemente o Presidente da República veio alertar para este facto de os portugueses serem cada vez menos os donos da riqueza produzida no País.
Estes valores evidenciam-se no crescimento do PIB de 1,8% em 2008 versus o crescimento do rendimento nacional bruto que só aumentou 1,6%.
Como salientou Cavaco Silva “mais importante do que olhar para o PIB, seria olhar para o rendimento nacional bruto. Uma coisa é o rendimento gerado pelo país e outra é o que fica no país”.
Ou seja cada vez é maior a diferença entre o que se produz em Portugal e aquilo que fica no país para ser distribuído pelos portugueses, mesmo esquecendo que a nossa economia está cada vez mais injusta e desequilibrada, com maiores injustiças sociais.
Cavaco Silva afirmou esperar que, "tal como acontece na Irlanda e noutros países, que comece a salientar-se mais o rendimento nacional bruto do que o produto nacional bruto, porque tem mais significado".
Importa que o Governo dê ouvidos ao Presidente da República e coloque este assunto como uma das prioridades da sua politica económica.
(Publicado no Diário de Coimbra em 19.05.2009)
Portugal, que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
Repare-se que só a espanhola Iberdrola, que detém unicamente 9,5% da portuguesa EDP, recebeu 43,2 milhões de euros de dividendos em 2007.
Em Portugal a EDP vende a energia a um valor superior às suas congéneres europeias, fabricando artificialmente lucros, que não só não ficam em Portugal como vão contribuir para o enriquecimento de economias concorrentes com a nossa.
Idêntica situação se verifica na “portuguesa” GALP.
Em resultado dos impostos aplicados pelo Governo nos produtos petrolíferos e de margens de comercialização excessiva, os portugueses, tal como acontece com a electricidade, pagam a gasolina e o gasóleo acima dos valores praticados em muitos outros países onde os salários e o nível de vida são superiores aos nossos.
Esta “exploração” dos portugueses ainda seria de tolerar se os lucros ficassem em Portugal e contribuíssem para dinamizar a nossa economia.
Infelizmente uma percentagem elevada pertence a accionistas estrangeiros que se limitam a vir aqui buscar lucros elevados, claramente especulativos, perante o silêncio do Governo.
Em 2008 mais de 3% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) foi parar à mão de estrangeiros. O ano passado, mais de 6,58 mil milhões de euros da riqueza gerada em Portugal saiu do país.
Curiosamente em 2003 este valor foi só de 1,85 mil milhões, menos de um terço.
De 2003 a 2008 a riqueza transferida para o estrangeiro cresceu 355,6% (mais de trezentos e cinquenta e cinco por cento) o que não permite qualquer comparação com o aumento dos salários no mesmo período.
São números que constituem um verdadeiro escândalo e que só são possíveis por uma demissão clara dos nossos governantes, aparentemente mais interessados em promover interesses privados, com capitais estrangeiros, do que em defender o interesse público nacional.
Recentemente o Presidente da República veio alertar para este facto de os portugueses serem cada vez menos os donos da riqueza produzida no País.
Estes valores evidenciam-se no crescimento do PIB de 1,8% em 2008 versus o crescimento do rendimento nacional bruto que só aumentou 1,6%.
Como salientou Cavaco Silva “mais importante do que olhar para o PIB, seria olhar para o rendimento nacional bruto. Uma coisa é o rendimento gerado pelo país e outra é o que fica no país”.
Ou seja cada vez é maior a diferença entre o que se produz em Portugal e aquilo que fica no país para ser distribuído pelos portugueses, mesmo esquecendo que a nossa economia está cada vez mais injusta e desequilibrada, com maiores injustiças sociais.
Cavaco Silva afirmou esperar que, "tal como acontece na Irlanda e noutros países, que comece a salientar-se mais o rendimento nacional bruto do que o produto nacional bruto, porque tem mais significado".
Importa que o Governo dê ouvidos ao Presidente da República e coloque este assunto como uma das prioridades da sua politica económica.
(Publicado no Diário de Coimbra em 19.05.2009)
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Portugal's Economy - Socratic Dialogue

Uma sondagem do jornal inglês The Economist aponta os portugueses como o povo mais tristes e desmotivados da Europa, só acompanhados pelos povos do leste da Hungria e Bulgária.
Segundo os dados da sondagem 92% dos portugueses vêm a situação económica como má, 95% estão deprimidos e mais de 50% estão descontentes com as suas condições de vida.
São apontado como pontos fortes portugueses o facto de os nossos bancos terem evitado activos tóxicos, o bom desempenho que temos mostrado na produção de energias renováveis e o crescimento das exportações para Angola. Estes não são no entanto suficientes para contrabalançar o mau desempenho da economia portuguesa.
Portugal não só não sentiu um “boom” económico, como a Irlanda ou a Espanha, como, nos últimos anos tem crescido abaixo da média europeia, incapaz de implementar uma estratégia de convergência.
Portugal já se deixou ultrapassar por todos os países da Europa.
Há dois dias a União Europeia actualizou as previsões do desempenho da nossa economia para este ano apontando para um défice orçamental de 6,5% e uma taxa de desemprego superior a 9%, valores que sobem para 6,7% e 9,8% respectivamente em 2010.
Segundo estudos recentes Portugal é também o país da União Europeia com maior desigualdade na distribuição de rendimentos.
O nosso País é aquele em que o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é mais largo. O mesmo acontece entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres.
(Ver artigo na The Economist)
terça-feira, 5 de maio de 2009
A Política Agrícola e a Economia Nacional
Um dos principais problemas do País reside no facto de uma parte significativa dos lucros das empresas multinacionais sair de Portugal, beneficiando outras economias.
Portugal que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
A falência da política económica “promovida” pelo Governo ainda se torna mais evidente quando se compara com o que acontece em sectores assentes na riqueza endógena como é o caso da agricultura.
A riqueza gerada pela agricultura caiu 23% desde 1992.
Curiosamente os apoios concedidos aos agricultores caíram 42,5 % no mesmo período.
Segundo dados recentes e tendo em conta as verbas referentes ao Regime de Pagamento Único, ao PRODER e aos programas que o antecederam o Governo desperdiçou mais de mil milhões de euros disponibilizados por Bruxelas entre os anos de 2005 e 2008, por incapacidade de agilizar os mecanismos que poderiam permitir a sua utilização.
Não espanta que com esta descida dos apoios e dos rendimentos tenhamos cada vez menos agricultores e mais campos abandonados.
Um estudo recente aponta que nos próximos anos só 30% dos agricultores possam sobreviver no mercado.
Esta política de desprezo pela agricultura é completamente irracional. Não podemos continuar a abandonar as terras e a apostar numa economia de crescente importação de bens essenciais.
Recentemente até o insuspeito Presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), João Salgueiro, afirmou que a agricultura tem maior potencial para criar empregos que o sector das obras públicas.
Para este economista os planos actuais contra a crise assentam numa política de betão, o que não resolve os dois grandes problemas nacionais: o desemprego e o desequilíbrio da balança comercial.
Segundo o Presidente da APB deveria haver uma campanha nacional para explicar o valor da agricultura.
João Salgueiro lamentou que o sector continue tão desprezado, ao contrário de outros países mediterrâneos que têm apostado no aumento das exportações para o resto da Europa.
O desenvolvimento da agricultura poderia também contribuir para atenuar o desequilíbrio crescente entre o litoral e o interior cada vez mais envelhecido e desertificado.
Falar da agricultura obriga a pensar na floresta.
As pessoas ligadas ao sector sabem que a floresta tem sido igualmente abandonada.
Veja-se o caso grave da doença do pinheiro e a ligeireza com que o Governo tem ”tratado” o problema, causando sérios prejuízos a toda a indústria da fileira do pinheiro: serrações, industria do mobiliário e indústria das embalagens, por exemplo.
A floresta não só é fundamental à riqueza nacional como é essencial à preservação do ambiente e ao turismo de natureza.
A floresta tem que ter políticas que apostem na sustentabilidade do negócio, na valorização da biodiversidade ambiental e na coesão social. Tem que ser rentável para atrair investidores e tem que criar empregos para a população activa que vive na proximidade da mata
Um dos aspectos essências é a valorização da produção de energia renovável pela biomassa.
Basta ver o desprezo a que o Governo tem votado o Centro da Biomassa para a Energia (CBE), sediado em Miranda do Corvo, para se ter a noção da falta de lucidez política dos responsáveis pelo sector.
(Publicado no Diário de Coimbra em 05.05.2009)
Portugal que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
A falência da política económica “promovida” pelo Governo ainda se torna mais evidente quando se compara com o que acontece em sectores assentes na riqueza endógena como é o caso da agricultura.
A riqueza gerada pela agricultura caiu 23% desde 1992.
Curiosamente os apoios concedidos aos agricultores caíram 42,5 % no mesmo período.
Segundo dados recentes e tendo em conta as verbas referentes ao Regime de Pagamento Único, ao PRODER e aos programas que o antecederam o Governo desperdiçou mais de mil milhões de euros disponibilizados por Bruxelas entre os anos de 2005 e 2008, por incapacidade de agilizar os mecanismos que poderiam permitir a sua utilização.
Não espanta que com esta descida dos apoios e dos rendimentos tenhamos cada vez menos agricultores e mais campos abandonados.
Um estudo recente aponta que nos próximos anos só 30% dos agricultores possam sobreviver no mercado.
Esta política de desprezo pela agricultura é completamente irracional. Não podemos continuar a abandonar as terras e a apostar numa economia de crescente importação de bens essenciais.
Recentemente até o insuspeito Presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), João Salgueiro, afirmou que a agricultura tem maior potencial para criar empregos que o sector das obras públicas.
Para este economista os planos actuais contra a crise assentam numa política de betão, o que não resolve os dois grandes problemas nacionais: o desemprego e o desequilíbrio da balança comercial.
Segundo o Presidente da APB deveria haver uma campanha nacional para explicar o valor da agricultura.
João Salgueiro lamentou que o sector continue tão desprezado, ao contrário de outros países mediterrâneos que têm apostado no aumento das exportações para o resto da Europa.
O desenvolvimento da agricultura poderia também contribuir para atenuar o desequilíbrio crescente entre o litoral e o interior cada vez mais envelhecido e desertificado.
Falar da agricultura obriga a pensar na floresta.
As pessoas ligadas ao sector sabem que a floresta tem sido igualmente abandonada.
Veja-se o caso grave da doença do pinheiro e a ligeireza com que o Governo tem ”tratado” o problema, causando sérios prejuízos a toda a indústria da fileira do pinheiro: serrações, industria do mobiliário e indústria das embalagens, por exemplo.
A floresta não só é fundamental à riqueza nacional como é essencial à preservação do ambiente e ao turismo de natureza.
A floresta tem que ter políticas que apostem na sustentabilidade do negócio, na valorização da biodiversidade ambiental e na coesão social. Tem que ser rentável para atrair investidores e tem que criar empregos para a população activa que vive na proximidade da mata
Um dos aspectos essências é a valorização da produção de energia renovável pela biomassa.
Basta ver o desprezo a que o Governo tem votado o Centro da Biomassa para a Energia (CBE), sediado em Miranda do Corvo, para se ter a noção da falta de lucidez política dos responsáveis pelo sector.
(Publicado no Diário de Coimbra em 05.05.2009)
sábado, 2 de maio de 2009
Ajuste de Contas Antigas
A esquerda aproveitou o 1.º de Maio para acertar contas antigas.
A atitude dos agressores é inadmissível e intolerável mas a rápida invocação da Marinha Grande pelo Vital Moreira foi absurda.
A teoria da vitimização está-se a tornar uma obsessão para alguns socialistas.
PSD Aproxima-se do PS

Sondagem do Diário de Notícias sobre as eleições europeias mostra que o PSD pode vencer as eleições europeias.
Esta sondagem está também de acordo com a da Intercampus, para a TVI, relativamente à proximidade entre o PS e PSD.
Paulo Rangel está a realizar uma boa pré-campanha e está por isso a conquistar terreno. Com este estímulo poderá agora dar um salto em frente.
Vital Moreira tem confirmado que foi uma má escolha de Sócrates. Não é uma figura galvanizadora para os socialistas. O seu fanatismo na defesa do governo de Sócrates (não podemos esquecer que a sua mulher é Secretária de Estado) impede-o de alargar a base eleitoral, não conseguindo angariar apoio fora do eleitorado socialista. A área comunista não esqueceu a traição, como vimos ontem no Martim Moniz.
Para além da má prestação de Vital Moreira estes resultados indicam também que o descontentamento com o governo está a aumentar.
Os sinais de nervosismo da parte do Partido Socialista começam a ser evidentes.
Se isto continuar com o actual rumo ainda poderemos ter um Verão animado e quem sabe alguma surpresa lá para Outubro.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
O Custo da Água e a Coesão Territorial
A aplicação de directivas comunitárias vai obrigar a que as tarifas da água e do saneamento reflictam os custos de exploração, impedindo que o seu valor seja inferior ao valor de custo.
Esta medida vai implicar que nos concelhos mais pequenos, do interior, com elevados custos de exploração, estas tarifas tenham um agravamento brutal.
Como facilmente se compreende os custos de exploração de água e saneamento são muito mais altos numa pequena vila do que numa grande cidade onde os ganhos de escala são evidentes.
Basta pensarmos que os mesmos vinte metros de conduta, com custos idênticos, que correspondem normalmente a dois ou três utilizadores num concelho do interior poderão corresponder a várias dezenas de utilizadores num concelho das áreas metropolitanas de Lisboa ou do Porto.
Esta situação vai conduzir a uma enorme disparidade entre o custo da água para os residentes de Lisboa ou do resto do país, sendo particularmente grave nos concelhos mais pequenos do interior.
Não só é uma situação socialmente insustentável como vai prejudicar a qualidade de vida no interior, contribuindo para o êxodo da população do interior para o litoral com brutais custos sociais no futuro.
Importa que o Governo faça prevalecer os princípios da solidariedade nacional e da coesão territorial impondo uma tarifa única em todo o país.
Os ganhos de escala nas grandes áreas metropolitanas devem ser usados para atenuar os elevados custo das zonas de baixa densidade populacional.
Tal como a electricidade tem um tarifário único em todo o país, importa que o Governo crie urgentemente os mecanismos necessários para a criação dum tarifário único nacional, permitindo assim um custo mais equilibrado e uniforme de água e saneamento para todos os portugueses.
A existirem diferenças as mesmas deveriam ser sempre favoráveis aos concelhos do interior e nunca o contrário. As medidas que possam atenuar a desertificação devem ser assumidas como um desígnio nacional.
Portugal sofre duma tremenda macrocefalia demográfica, económica e política. A pouco e pouco tudo se concentra na área metropolitana de Lisboa.
Mais de metade das áreas urbanas de Portugal concentram-se numa faixa de apenas 13 km junto à costa que representa cerca de 13% do território.
Os restantes 87% do país estão cada vez mais abandonados.
É com preocupação que diariamente assistimos ao anúncio de políticas fortemente penalizadoras para as populações rurais, mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Dos encerramentos das escolas periféricas, dos Serviços de Atendimento Permanente nos Centros de Saúde, das extensões de saúde nas freguesias mais distantes, das maternidades e de alguns serviços descentralizados até ao esvaziamento dos serviços regionais de alguns institutos públicos, temos assistido a uma sucessão de decisões absurdamente centralistas que estão a contribuir para um êxodo populacional do interior para o litoral, posteriormente canalizado para Lisboa.
O Governo quer encerrar tudo o que cheira a periferia, alegando custos excessivos.
Estas decisões assentes numa visão excessivamente economicista, são um acelerador da desertificação de Portugal.
Com estas políticas teremos um interior cada vez mais desertificado e uma área metropolitana de Lisboa agigantada.
Na Europa do Norte os Governos tudo fazem para manter uma distribuição equilibrada das pessoas pelos territórios.
Em Portugal o engenheiro Sócrates tem feito o contrário.
A recessão económica afasta-nos da média europeia.
O centralismo aproxima-nos da África subdesenvolvida.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 21.04.2009)
Esta medida vai implicar que nos concelhos mais pequenos, do interior, com elevados custos de exploração, estas tarifas tenham um agravamento brutal.
Como facilmente se compreende os custos de exploração de água e saneamento são muito mais altos numa pequena vila do que numa grande cidade onde os ganhos de escala são evidentes.
Basta pensarmos que os mesmos vinte metros de conduta, com custos idênticos, que correspondem normalmente a dois ou três utilizadores num concelho do interior poderão corresponder a várias dezenas de utilizadores num concelho das áreas metropolitanas de Lisboa ou do Porto.
Esta situação vai conduzir a uma enorme disparidade entre o custo da água para os residentes de Lisboa ou do resto do país, sendo particularmente grave nos concelhos mais pequenos do interior.
Não só é uma situação socialmente insustentável como vai prejudicar a qualidade de vida no interior, contribuindo para o êxodo da população do interior para o litoral com brutais custos sociais no futuro.
Importa que o Governo faça prevalecer os princípios da solidariedade nacional e da coesão territorial impondo uma tarifa única em todo o país.
Os ganhos de escala nas grandes áreas metropolitanas devem ser usados para atenuar os elevados custo das zonas de baixa densidade populacional.
Tal como a electricidade tem um tarifário único em todo o país, importa que o Governo crie urgentemente os mecanismos necessários para a criação dum tarifário único nacional, permitindo assim um custo mais equilibrado e uniforme de água e saneamento para todos os portugueses.
A existirem diferenças as mesmas deveriam ser sempre favoráveis aos concelhos do interior e nunca o contrário. As medidas que possam atenuar a desertificação devem ser assumidas como um desígnio nacional.
Portugal sofre duma tremenda macrocefalia demográfica, económica e política. A pouco e pouco tudo se concentra na área metropolitana de Lisboa.
Mais de metade das áreas urbanas de Portugal concentram-se numa faixa de apenas 13 km junto à costa que representa cerca de 13% do território.
Os restantes 87% do país estão cada vez mais abandonados.
É com preocupação que diariamente assistimos ao anúncio de políticas fortemente penalizadoras para as populações rurais, mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Dos encerramentos das escolas periféricas, dos Serviços de Atendimento Permanente nos Centros de Saúde, das extensões de saúde nas freguesias mais distantes, das maternidades e de alguns serviços descentralizados até ao esvaziamento dos serviços regionais de alguns institutos públicos, temos assistido a uma sucessão de decisões absurdamente centralistas que estão a contribuir para um êxodo populacional do interior para o litoral, posteriormente canalizado para Lisboa.
O Governo quer encerrar tudo o que cheira a periferia, alegando custos excessivos.
Estas decisões assentes numa visão excessivamente economicista, são um acelerador da desertificação de Portugal.
Com estas políticas teremos um interior cada vez mais desertificado e uma área metropolitana de Lisboa agigantada.
Na Europa do Norte os Governos tudo fazem para manter uma distribuição equilibrada das pessoas pelos territórios.
Em Portugal o engenheiro Sócrates tem feito o contrário.
A recessão económica afasta-nos da média europeia.
O centralismo aproxima-nos da África subdesenvolvida.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 21.04.2009)
Más Decisões para os Contribuintes Pagarem
No âmbito da reforma dos cuidados de saúde primários o Governo decidiu extinguir as sub-regiões de saúde, criando em sua substituição vários agrupamentos de centros de saúde (ACES). Três no nosso Distrito.
Anteriormente havia um Director de Saúde para o Distrito. Com estes ACES vão ser nomeados nove administradores, todos evidentemente fiéis ao partido do Governo. É mais um milagre socialista de multiplicação dos cargos políticos.
No alto distrito foi criado o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte I, incluindo Arganil, Góis, Lousã, Miranda, Oliveira, Pampilhosa, Tábua e Poiares.
Tendo o Governo algumas instalações próprias, devolutas, seria lógico que aí instalasse a sede do agrupamento.
O Ministério da Saúde tem edifícios com grande dignidade, propriedade do Estado, com várias salas fechadas, como é o caso dos centros de saúde de Miranda do Corvo e Poiares.
Apesar do centro de saúde da Lousã funcionar em instalações alugadas, com espaço reduzido, foi precisamente neste concelho que o Governo decidiu instalar esta sede.
A instalação deste serviço na Lousã implica o pagamento mensal de rendas e outras despesas com obras de remodelação/ampliação num edifício que é propriedade privada.
É inaceitável que o Governo faça obras e investimentos em propriedade alheia quando possui instalações devolutas, a degradaram-se por falta de uso.
Esta decisão é completamente irracional do ponto de vista económico.
Não podemos aceitar que perante a crise económica, o Governo mantenha uma atitude despesista irresponsável
A instalação desta sede traz prestígio para o concelho onde se instalar.
Os edifícios subaproveitados de Miranda e Poiares estão em concelhos com gestões autárquicas social-democratas.
A Lousã é um concelho tradicionalmente socialista em que o PS corre o risco de perder, nomeadamente se o actual presidente não se candidatar como reiteradamente tem afirmado.
É evidente que todos estamos habituados a políticos que prometem uma coisa e fazem exactamente o oposto. Ficarei desiludido se tiver de colocar o Dr. Fernando Carvalho nesta lista de troca-tintas.
Perante o risco da derrota nas eleições autárquicas pretenderá o Governo com este gesto satisfazer algumas clientelas locais e reforçar a candidatura PS.
Não aceito que privilegie o interesse partidário em prejuízo do interesse nacional.
Em Miranda o centro de saúde possuía uma ala de internamento com “urgências” 24 horas e teve obras de modernização há cerca de quatro anos.
Após a conclusão destas obras, numa atitude que ainda hoje não compreendemos, o Governo decidiu encerrar as urgências e o internamento. Alegou falta de dinheiro. Dinheiro que agora esbanja em instalações alugadas.
José Sócrates não pode continuar a desperdiçar o nosso dinheiro para satisfazer clientelas partidárias em vez de fazer uma gestão correcta dos dinheiros públicos.
Trata-se de uma decisão completamente irracional e similar à que ocorreu recentemente com a transferência da Delegação Regional da Economia para Aveiro.
Também aí o Governo abandonou instalações próprias em Coimbra passando a ter de pagar as deslocações diárias dos trabalhadores para Aveiro.
Miranda e Poiares são Câmaras de maioria social-democrata. Lousã é um concelho que o PS não quer perder.
É eticamente inaceitável que o José Sócrates e o Governo ponham o PS acima dos interesses nacionais.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 07.04.2009)
Anteriormente havia um Director de Saúde para o Distrito. Com estes ACES vão ser nomeados nove administradores, todos evidentemente fiéis ao partido do Governo. É mais um milagre socialista de multiplicação dos cargos políticos.
No alto distrito foi criado o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte I, incluindo Arganil, Góis, Lousã, Miranda, Oliveira, Pampilhosa, Tábua e Poiares.
Tendo o Governo algumas instalações próprias, devolutas, seria lógico que aí instalasse a sede do agrupamento.
O Ministério da Saúde tem edifícios com grande dignidade, propriedade do Estado, com várias salas fechadas, como é o caso dos centros de saúde de Miranda do Corvo e Poiares.
Apesar do centro de saúde da Lousã funcionar em instalações alugadas, com espaço reduzido, foi precisamente neste concelho que o Governo decidiu instalar esta sede.
A instalação deste serviço na Lousã implica o pagamento mensal de rendas e outras despesas com obras de remodelação/ampliação num edifício que é propriedade privada.
É inaceitável que o Governo faça obras e investimentos em propriedade alheia quando possui instalações devolutas, a degradaram-se por falta de uso.
Esta decisão é completamente irracional do ponto de vista económico.
Não podemos aceitar que perante a crise económica, o Governo mantenha uma atitude despesista irresponsável
A instalação desta sede traz prestígio para o concelho onde se instalar.
Os edifícios subaproveitados de Miranda e Poiares estão em concelhos com gestões autárquicas social-democratas.
A Lousã é um concelho tradicionalmente socialista em que o PS corre o risco de perder, nomeadamente se o actual presidente não se candidatar como reiteradamente tem afirmado.
É evidente que todos estamos habituados a políticos que prometem uma coisa e fazem exactamente o oposto. Ficarei desiludido se tiver de colocar o Dr. Fernando Carvalho nesta lista de troca-tintas.
Perante o risco da derrota nas eleições autárquicas pretenderá o Governo com este gesto satisfazer algumas clientelas locais e reforçar a candidatura PS.
Não aceito que privilegie o interesse partidário em prejuízo do interesse nacional.
Em Miranda o centro de saúde possuía uma ala de internamento com “urgências” 24 horas e teve obras de modernização há cerca de quatro anos.
Após a conclusão destas obras, numa atitude que ainda hoje não compreendemos, o Governo decidiu encerrar as urgências e o internamento. Alegou falta de dinheiro. Dinheiro que agora esbanja em instalações alugadas.
José Sócrates não pode continuar a desperdiçar o nosso dinheiro para satisfazer clientelas partidárias em vez de fazer uma gestão correcta dos dinheiros públicos.
Trata-se de uma decisão completamente irracional e similar à que ocorreu recentemente com a transferência da Delegação Regional da Economia para Aveiro.
Também aí o Governo abandonou instalações próprias em Coimbra passando a ter de pagar as deslocações diárias dos trabalhadores para Aveiro.
Miranda e Poiares são Câmaras de maioria social-democrata. Lousã é um concelho que o PS não quer perder.
É eticamente inaceitável que o José Sócrates e o Governo ponham o PS acima dos interesses nacionais.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 07.04.2009)
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