Neste espaço tenho vindo a alertar para o enorme erro que é a aposta do Governo na execução de obras públicas megalómanas.
No 10 de Junho o Presidente da República chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia de médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Há cerca de uma semana um grupo de 28 economistas de referência, entre os quais vários ex-ministros do PS, vieram a público alertar para a mesma situação.
No documento que divulgaram referem que: “A insistência em grandes investimentos públicos, de baixa ou nula rentabilidade, e com fraca criação de emprego em Portugal, não é o caminho no combate à crise económica. São projectos que exigem a mobilização de recursos avultados, com elevados impactos na dívida externa, e na dívida pública, e com custos de oportunidade significativos no ataque às nossas verdadeiras fraquezas estruturais e no crescimento sustentado da economia.”
Segundo uma sondagem da Marktest para a TSF e Diário Económico, divulgada ontem, dois em cada três portugueses (73,9%) acha que Portugal deve reavaliar a execução das grandes obras públicas, nomeadamente o TGV, o novo aeroporto e a terceira ponte em Lisboa.
Mesmo agora, perante a crise, indiferente aos vários alertas e à opinião dos portugueses, o Governo parece teimosamente decidido em apostar no apoio às grandes empresas, promovendo investimentos megalómanos.
O Governo quer endividar o País obrigando os portugueses, que já vivem com dificuldades, a pagar mais impostos para suportar loucuras insustentáveis e financeiramente ruinosas.
Não significa isto que esteja contra o investimento público. O investimento público é necessário.
Considero contudo que esse investimento deve ser criteriosamente distribuído pelo território nacional, tendo como principal objectivo os investimentos geradores de riqueza e que permitam a criação de postos de trabalho, bem como os que promovam a coesão territorial, tais como as vias de ligação dos vários concelhos às respectivas sedes de distrito e a recuperação dos monumentos classificados.
O governo deveria lançar medidas de salvação nacional a nível económico, incentivando e apoiando as Pequenas e Médias Empresas através de pequenos investimentos disseminados pelo país e não concentrados na grande Lisboa.
No imobiliário é preciso deixar de construir bairros novos, apoiando antes os proprietários na recuperação das casas antigas que, um pouco por todo o país, vão ficando em ruínas.
Só estímulos às Pequenas e Médias Empresas (PME’s) serão capazes de reanimar a economia, impedindo o desemprego crescente.
Em Portugal encerraram 60 mil PME’s entre Janeiro de 2008 e Abril de 2009. As PME’s empregam 70% da população activa.
O presidente da Confederação Europeia das PME’s, Mário Ohoven, alertou para que em Portugal só a manipulação política e o tráfico de influências podem explicar que as grandes empresas tenham o privilégio de aceder aos fundos europeus em detrimento das PME’s. Segundo este importante dirigente alemão, o Governo português está dependente dos lobbies das grandes empresas.
É fundamental que o Governo perceba que deve apoiar a economia real e não os especuladores financeiros que não criam emprego. É necessário que o Governo deixe de olhar só para as grandes empresas.
Perante a evidência do desastre económico provocado pela febre despesista, surpreende que o Governo continue a endividar-se apostando tudo em obras de betão.
Corremos o risco de a curto prazo termos um estado arruinado, que tem de canalizar todos os nossos impostos para sustentar o pagamento da divida.
Impõe-se como tal, em nome do interesse nacional, que o Governo proceda a uma reavaliação profunda dos mega-investimentos públicos na área dos transportes.
A solução para a crise do país não passa pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa, o TGV ou uma nova ponte em Lisboa.
O país precisa de novas estratégias para um desenvolvimento coeso e sustentado.
(Publicado no Diário de Coimbra em 30.06.2009)
terça-feira, 30 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Erro das Grandes Obras
As comemorações do 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, ficaram este ano marcadas pelas intervenções do Presidente da República e de António Barreto, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações.
O Presidente da República defendeu a aposta na educação e no mundo rural como forma de conseguir um ordenamento territorial, a coesão do todo nacional e o combate ao despovoamento do interior.
Cavaco Silva chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia a médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Referiu que é preciso agir "com determinação, sentido estratégico e capacidade de mobilizar esforços e vontades" e apostar no que é "essencial para o aumento da nossa capacidade competitiva".
Defendeu ainda que "é necessário ter (...) a coragem de encarar a verdade dos factos e proceder às mudanças que sejam necessárias".
O Governo fazendo “ouvidos de mercador” da mensagem do Presidente da República continua a defender o avanço das grandes obras públicas.
Esta aposta do Governo assenta em três erros enormes.
Retira dinheiro da economia real para o concentrar nos grandes grupos financeiros.
Num país com recursos escassos consome o que tem e não tem em obras de utilidade imediata duvidosa, como é o caso do TGV e do novo aeroporto de Lisboa.
Como estas obras vão ser feitas com base no endividamento compromete ainda mais o nosso futuro.
Para muitos especialistas é no mínimo questionável a opção de contrariar a crise através de um maior endividamento do Estado.
A mim parece-me uma evidente loucura.
Todos sabemos que quando uma família está numa situação difícil, não conseguindo pagar as suas dívidas, a solução não passa por contrair mais dívidas.
A solução exige novas receitas ou menos despesa.
As dificuldades presentes decorrem da situação de crise internacional mas não nos podemos esquecer que Portugal tem vindo, nos últimos anos, a fazer pior e menos que os restantes países da UE.
Esta opinião, dos que defendem que se endivide ainda mais o país, só é possível porque interessa a alguns grupos financeiros e às grandes construtoras, que se habituaram a viver à custa do Estado.
O país precisa de novas estratégias de desenvolvimento.
Necessita de indústrias competitivas, de desenvolver as pescas, de modernizar a agricultura, de aproveitar o território a o espaço florestal, de melhorar e ampliar o sector do turismo… Mas estas áreas são arriscadas, exigem trabalho e esforço. É mais fácil ganhar dinheiro sem risco à custa dos grandes negócios com o Estado.
A solução para a crise do país não passa pelo aumento do endividamento nem pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa ou o TGV.
A opção de agravar o endividamento é uma solução oportunista, para o Governo ganhar eleições, mas que vai comprometer o futuro do país durante muitos anos.
As loucuras que o Governo agora cometer a gastar dinheiro sem “tino” serão pagas por todos nós, com juros, nos próximos anos ou décadas.
A crise económica, o desemprego, a pobreza e a baixa natalidade são factores que deprimem os portugueses.
Segundo um estudo/sondagem publicado recentemente no jornal britânico The Economist, os portugueses são os cidadãos mais tristes e desmotivados da Europa, só igualados pelos povos de leste da Hungria e Bulgária.
Tudo isto porque Portugal já foi, em termos de crescimento, ultrapassado por todos os países da Europa, segundo o mesmo jornal.
Perante a enorme crise de confiança em que o país se encontra exigem-se políticos capazes de definirem políticas que conduzam Portugal a dobrar este novo “Cabo das Tormentas”.
O engenheiro Sócrates é um homem desgastado.
As várias histórias em que se tem visto envolvido debilitaram-no.
Portugal não pode ter à sua frente políticos enfraquecidos, mais preocupados com a defesa da sua imagem do que com a governação do país.
(Publicado no Diário de Coimbra em 16.06.2009)
O Presidente da República defendeu a aposta na educação e no mundo rural como forma de conseguir um ordenamento territorial, a coesão do todo nacional e o combate ao despovoamento do interior.
Cavaco Silva chamou a atenção para a necessidade de uma estratégia a médio e longo prazo para Portugal, defendendo que dadas as dificuldades que o país hoje enfrenta é necessário ter uma "visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige".
Referiu que é preciso agir "com determinação, sentido estratégico e capacidade de mobilizar esforços e vontades" e apostar no que é "essencial para o aumento da nossa capacidade competitiva".
Defendeu ainda que "é necessário ter (...) a coragem de encarar a verdade dos factos e proceder às mudanças que sejam necessárias".
O Governo fazendo “ouvidos de mercador” da mensagem do Presidente da República continua a defender o avanço das grandes obras públicas.
Esta aposta do Governo assenta em três erros enormes.
Retira dinheiro da economia real para o concentrar nos grandes grupos financeiros.
Num país com recursos escassos consome o que tem e não tem em obras de utilidade imediata duvidosa, como é o caso do TGV e do novo aeroporto de Lisboa.
Como estas obras vão ser feitas com base no endividamento compromete ainda mais o nosso futuro.
Para muitos especialistas é no mínimo questionável a opção de contrariar a crise através de um maior endividamento do Estado.
A mim parece-me uma evidente loucura.
Todos sabemos que quando uma família está numa situação difícil, não conseguindo pagar as suas dívidas, a solução não passa por contrair mais dívidas.
A solução exige novas receitas ou menos despesa.
As dificuldades presentes decorrem da situação de crise internacional mas não nos podemos esquecer que Portugal tem vindo, nos últimos anos, a fazer pior e menos que os restantes países da UE.
Esta opinião, dos que defendem que se endivide ainda mais o país, só é possível porque interessa a alguns grupos financeiros e às grandes construtoras, que se habituaram a viver à custa do Estado.
O país precisa de novas estratégias de desenvolvimento.
Necessita de indústrias competitivas, de desenvolver as pescas, de modernizar a agricultura, de aproveitar o território a o espaço florestal, de melhorar e ampliar o sector do turismo… Mas estas áreas são arriscadas, exigem trabalho e esforço. É mais fácil ganhar dinheiro sem risco à custa dos grandes negócios com o Estado.
A solução para a crise do país não passa pelo aumento do endividamento nem pela realização de obras megalómanas como o novo aeroporto de Lisboa ou o TGV.
A opção de agravar o endividamento é uma solução oportunista, para o Governo ganhar eleições, mas que vai comprometer o futuro do país durante muitos anos.
As loucuras que o Governo agora cometer a gastar dinheiro sem “tino” serão pagas por todos nós, com juros, nos próximos anos ou décadas.
A crise económica, o desemprego, a pobreza e a baixa natalidade são factores que deprimem os portugueses.
Segundo um estudo/sondagem publicado recentemente no jornal britânico The Economist, os portugueses são os cidadãos mais tristes e desmotivados da Europa, só igualados pelos povos de leste da Hungria e Bulgária.
Tudo isto porque Portugal já foi, em termos de crescimento, ultrapassado por todos os países da Europa, segundo o mesmo jornal.
Perante a enorme crise de confiança em que o país se encontra exigem-se políticos capazes de definirem políticas que conduzam Portugal a dobrar este novo “Cabo das Tormentas”.
O engenheiro Sócrates é um homem desgastado.
As várias histórias em que se tem visto envolvido debilitaram-no.
Portugal não pode ter à sua frente políticos enfraquecidos, mais preocupados com a defesa da sua imagem do que com a governação do país.
(Publicado no Diário de Coimbra em 16.06.2009)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Discurso do Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas no 10 de Junho

O sociólogo António Barreto, no discurso do 10 de Junho, desafiou as elites e os vários poderes, do político ao empresarial, a serem exemplos para o resto da sociedade portuguesa.
Leia o discurso completo AQUI.
José Manuel Fernandes, Director do Público, comentou no Twitter: "Discurso de António Barreto no 10 de Junho é dos melhores que ouvi nos últimos anos. Afixem-no em toda a parte: escolas, repartições, tribunais, empresas."
A avaliação da frequência de utilização das palavras no discurso de António Barreto, vista pelo Wordle:
Discurso do Presidente da República no 10 de Junho

Cavaco Silva no discurso do 10 de Junho, em Santarém, alertou para a necessidade de uma "estratégia a médio e longo prazo" para o país.
Leia o discurso completo AQUI.
A avaliação da frequência de utilização das palavras no discurso de Presidente da República, vista pelo Wordle:
quarta-feira, 3 de junho de 2009
O Santo Condestável, o Governo e a Igreja
O herói nacional, Condestável D. Nuno Alves Pereira, foi considerado Santo.
Os portugueses sabem que lhe devem a independência nacional conquistada na batalha de Aljubarrota.
Sem ele seriamos hoje provavelmente uma região de Espanha. É sem duvida uma das figuras maiores da nossa história.
A Igreja, avaliando as suas qualidades humanas atribui-lhe o titulo de Santo.
Para os historiadores foi um exemplo de humanismo ao reconhecer aos vencidos o estatuto de pessoas dignas de respeito.
Em vez de os massacrar ou tratar de forma indigna, como acontecia na época, o Condestável criou condições para os castelhanos feridos na batalha terem cuidados de saúde e apoio na alimentação. Foi talvez um dos primeiros momentos na história da humanidade onde os vencedores trataram os vencidos de forma digna, como prisioneiros de guerra, com direitos reconhecidos.
Sendo uma das pessoas mais ricas do reino veio a abdicar de toda a sua fortuna para entrar num convento como frade Carmelita, em 1423, e dedicou a sua vida à causa da defesas dos mais pobres.
O Papa considerou São Nuno um exemplo para a sociedade actual tendo salientado o seu despojamento. A Santa Sé apresentou o novo Santo como um dos homens mais ricos de Portugal que por amor a Deus se fez pobre, distribuindo os seus bens pela Igreja, pelos pobres, pela família e pelos antigos companheiros de armas.
Nem sempre temos portugueses a verem os seus méritos reconhecidos internacionalmente.
É um momento de satisfação, não só para os crentes, sentir que a Igreja reconhece as qualidades deste herói nacional.
Infelizmente o Governo alheou-se do processo, parecendo ter vergonha de se associar e de se congratular com a decisão da Igreja Católica.
Este é um Governo que tem sistematicamente mostrado alguma dificuldade de convivência com a religião, particularmente com a Igreja Católica. Com frequência opta por políticas ditas fracturantes, que mais não são que afrontar a doutrina da Igreja.
Este Governo é capaz de festejar com entusiasmo qualquer pequena vitória desportiva mas mostrou uma enorme incapacidade de reconhecer com a dignidade merecida a decisão de canonizar Frei Nuno de Santa Maria.
D. José Policarpo afirmou que Frei Nuno de Santa Maria é inconciliável com a mediocridade e que o Governo convive mal com a Igreja
Para agradar aos radicais o Governo incentiva o aborto, isentando as mulheres de pagar taxas moderadoras, mas se uma mulher quiser engravidar e precisar de apoio para ultrapassar a sua esterilidade o Governo já não a apoia com a mesma celeridade e gratuitidade.
O PS quer incentivar o casamento dos homossexuais mas não cria políticas que incentivem as famílias a poder ter mais filhos.
Um relatório recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) demonstra que os apoios concedidos às famílias portuguesas, para apoio à natalidade, continuam muito abaixo da média internacional.
O Governo facilita o divórcio mas recusa criar uma fiscalidade que apoie as famílias a enfrentarem tantas dificuldades.
Vem agora o PS querer distribuir preservativos nas escolas criando nas crianças a ideia que fazer sexo é tão fácil e natural como beber um copo de água.
Sexo seguro não é incentivar a promiscuidade nem banalizar o sexo. Combater a SIDA e as gravidezes de mães menores passa por dignificar a família, ensinar os jovens que devem controlar os seus instintos e valorizar o amor.
É um Governo que se comporta com a Igreja como aqueles miúdos que batem e fogem. Pela frente simpatia mas sempre que pode vai dando umas caneladas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 02.06.2009)
Os portugueses sabem que lhe devem a independência nacional conquistada na batalha de Aljubarrota.
Sem ele seriamos hoje provavelmente uma região de Espanha. É sem duvida uma das figuras maiores da nossa história.
A Igreja, avaliando as suas qualidades humanas atribui-lhe o titulo de Santo.
Para os historiadores foi um exemplo de humanismo ao reconhecer aos vencidos o estatuto de pessoas dignas de respeito.
Em vez de os massacrar ou tratar de forma indigna, como acontecia na época, o Condestável criou condições para os castelhanos feridos na batalha terem cuidados de saúde e apoio na alimentação. Foi talvez um dos primeiros momentos na história da humanidade onde os vencedores trataram os vencidos de forma digna, como prisioneiros de guerra, com direitos reconhecidos.
Sendo uma das pessoas mais ricas do reino veio a abdicar de toda a sua fortuna para entrar num convento como frade Carmelita, em 1423, e dedicou a sua vida à causa da defesas dos mais pobres.
O Papa considerou São Nuno um exemplo para a sociedade actual tendo salientado o seu despojamento. A Santa Sé apresentou o novo Santo como um dos homens mais ricos de Portugal que por amor a Deus se fez pobre, distribuindo os seus bens pela Igreja, pelos pobres, pela família e pelos antigos companheiros de armas.
Nem sempre temos portugueses a verem os seus méritos reconhecidos internacionalmente.
É um momento de satisfação, não só para os crentes, sentir que a Igreja reconhece as qualidades deste herói nacional.
Infelizmente o Governo alheou-se do processo, parecendo ter vergonha de se associar e de se congratular com a decisão da Igreja Católica.
Este é um Governo que tem sistematicamente mostrado alguma dificuldade de convivência com a religião, particularmente com a Igreja Católica. Com frequência opta por políticas ditas fracturantes, que mais não são que afrontar a doutrina da Igreja.
Este Governo é capaz de festejar com entusiasmo qualquer pequena vitória desportiva mas mostrou uma enorme incapacidade de reconhecer com a dignidade merecida a decisão de canonizar Frei Nuno de Santa Maria.
D. José Policarpo afirmou que Frei Nuno de Santa Maria é inconciliável com a mediocridade e que o Governo convive mal com a Igreja
Para agradar aos radicais o Governo incentiva o aborto, isentando as mulheres de pagar taxas moderadoras, mas se uma mulher quiser engravidar e precisar de apoio para ultrapassar a sua esterilidade o Governo já não a apoia com a mesma celeridade e gratuitidade.
O PS quer incentivar o casamento dos homossexuais mas não cria políticas que incentivem as famílias a poder ter mais filhos.
Um relatório recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) demonstra que os apoios concedidos às famílias portuguesas, para apoio à natalidade, continuam muito abaixo da média internacional.
O Governo facilita o divórcio mas recusa criar uma fiscalidade que apoie as famílias a enfrentarem tantas dificuldades.
Vem agora o PS querer distribuir preservativos nas escolas criando nas crianças a ideia que fazer sexo é tão fácil e natural como beber um copo de água.
Sexo seguro não é incentivar a promiscuidade nem banalizar o sexo. Combater a SIDA e as gravidezes de mães menores passa por dignificar a família, ensinar os jovens que devem controlar os seus instintos e valorizar o amor.
É um Governo que se comporta com a Igreja como aqueles miúdos que batem e fogem. Pela frente simpatia mas sempre que pode vai dando umas caneladas.
(Publicado no Diário de Coimbra em 02.06.2009)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A Fuga dos Lucros para o Estrangeiro
Já aqui recordei que um dos principais problemas do País reside no facto de uma parte significativa dos lucros das empresas multinacionais sair de Portugal, beneficiando outras economias.
Portugal, que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
Repare-se que só a espanhola Iberdrola, que detém unicamente 9,5% da portuguesa EDP, recebeu 43,2 milhões de euros de dividendos em 2007.
Em Portugal a EDP vende a energia a um valor superior às suas congéneres europeias, fabricando artificialmente lucros, que não só não ficam em Portugal como vão contribuir para o enriquecimento de economias concorrentes com a nossa.
Idêntica situação se verifica na “portuguesa” GALP.
Em resultado dos impostos aplicados pelo Governo nos produtos petrolíferos e de margens de comercialização excessiva, os portugueses, tal como acontece com a electricidade, pagam a gasolina e o gasóleo acima dos valores praticados em muitos outros países onde os salários e o nível de vida são superiores aos nossos.
Esta “exploração” dos portugueses ainda seria de tolerar se os lucros ficassem em Portugal e contribuíssem para dinamizar a nossa economia.
Infelizmente uma percentagem elevada pertence a accionistas estrangeiros que se limitam a vir aqui buscar lucros elevados, claramente especulativos, perante o silêncio do Governo.
Em 2008 mais de 3% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) foi parar à mão de estrangeiros. O ano passado, mais de 6,58 mil milhões de euros da riqueza gerada em Portugal saiu do país.
Curiosamente em 2003 este valor foi só de 1,85 mil milhões, menos de um terço.
De 2003 a 2008 a riqueza transferida para o estrangeiro cresceu 355,6% (mais de trezentos e cinquenta e cinco por cento) o que não permite qualquer comparação com o aumento dos salários no mesmo período.
São números que constituem um verdadeiro escândalo e que só são possíveis por uma demissão clara dos nossos governantes, aparentemente mais interessados em promover interesses privados, com capitais estrangeiros, do que em defender o interesse público nacional.
Recentemente o Presidente da República veio alertar para este facto de os portugueses serem cada vez menos os donos da riqueza produzida no País.
Estes valores evidenciam-se no crescimento do PIB de 1,8% em 2008 versus o crescimento do rendimento nacional bruto que só aumentou 1,6%.
Como salientou Cavaco Silva “mais importante do que olhar para o PIB, seria olhar para o rendimento nacional bruto. Uma coisa é o rendimento gerado pelo país e outra é o que fica no país”.
Ou seja cada vez é maior a diferença entre o que se produz em Portugal e aquilo que fica no país para ser distribuído pelos portugueses, mesmo esquecendo que a nossa economia está cada vez mais injusta e desequilibrada, com maiores injustiças sociais.
Cavaco Silva afirmou esperar que, "tal como acontece na Irlanda e noutros países, que comece a salientar-se mais o rendimento nacional bruto do que o produto nacional bruto, porque tem mais significado".
Importa que o Governo dê ouvidos ao Presidente da República e coloque este assunto como uma das prioridades da sua politica económica.
(Publicado no Diário de Coimbra em 19.05.2009)
Portugal, que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
Repare-se que só a espanhola Iberdrola, que detém unicamente 9,5% da portuguesa EDP, recebeu 43,2 milhões de euros de dividendos em 2007.
Em Portugal a EDP vende a energia a um valor superior às suas congéneres europeias, fabricando artificialmente lucros, que não só não ficam em Portugal como vão contribuir para o enriquecimento de economias concorrentes com a nossa.
Idêntica situação se verifica na “portuguesa” GALP.
Em resultado dos impostos aplicados pelo Governo nos produtos petrolíferos e de margens de comercialização excessiva, os portugueses, tal como acontece com a electricidade, pagam a gasolina e o gasóleo acima dos valores praticados em muitos outros países onde os salários e o nível de vida são superiores aos nossos.
Esta “exploração” dos portugueses ainda seria de tolerar se os lucros ficassem em Portugal e contribuíssem para dinamizar a nossa economia.
Infelizmente uma percentagem elevada pertence a accionistas estrangeiros que se limitam a vir aqui buscar lucros elevados, claramente especulativos, perante o silêncio do Governo.
Em 2008 mais de 3% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) foi parar à mão de estrangeiros. O ano passado, mais de 6,58 mil milhões de euros da riqueza gerada em Portugal saiu do país.
Curiosamente em 2003 este valor foi só de 1,85 mil milhões, menos de um terço.
De 2003 a 2008 a riqueza transferida para o estrangeiro cresceu 355,6% (mais de trezentos e cinquenta e cinco por cento) o que não permite qualquer comparação com o aumento dos salários no mesmo período.
São números que constituem um verdadeiro escândalo e que só são possíveis por uma demissão clara dos nossos governantes, aparentemente mais interessados em promover interesses privados, com capitais estrangeiros, do que em defender o interesse público nacional.
Recentemente o Presidente da República veio alertar para este facto de os portugueses serem cada vez menos os donos da riqueza produzida no País.
Estes valores evidenciam-se no crescimento do PIB de 1,8% em 2008 versus o crescimento do rendimento nacional bruto que só aumentou 1,6%.
Como salientou Cavaco Silva “mais importante do que olhar para o PIB, seria olhar para o rendimento nacional bruto. Uma coisa é o rendimento gerado pelo país e outra é o que fica no país”.
Ou seja cada vez é maior a diferença entre o que se produz em Portugal e aquilo que fica no país para ser distribuído pelos portugueses, mesmo esquecendo que a nossa economia está cada vez mais injusta e desequilibrada, com maiores injustiças sociais.
Cavaco Silva afirmou esperar que, "tal como acontece na Irlanda e noutros países, que comece a salientar-se mais o rendimento nacional bruto do que o produto nacional bruto, porque tem mais significado".
Importa que o Governo dê ouvidos ao Presidente da República e coloque este assunto como uma das prioridades da sua politica económica.
(Publicado no Diário de Coimbra em 19.05.2009)
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Portugal's Economy - Socratic Dialogue

Uma sondagem do jornal inglês The Economist aponta os portugueses como o povo mais tristes e desmotivados da Europa, só acompanhados pelos povos do leste da Hungria e Bulgária.
Segundo os dados da sondagem 92% dos portugueses vêm a situação económica como má, 95% estão deprimidos e mais de 50% estão descontentes com as suas condições de vida.
São apontado como pontos fortes portugueses o facto de os nossos bancos terem evitado activos tóxicos, o bom desempenho que temos mostrado na produção de energias renováveis e o crescimento das exportações para Angola. Estes não são no entanto suficientes para contrabalançar o mau desempenho da economia portuguesa.
Portugal não só não sentiu um “boom” económico, como a Irlanda ou a Espanha, como, nos últimos anos tem crescido abaixo da média europeia, incapaz de implementar uma estratégia de convergência.
Portugal já se deixou ultrapassar por todos os países da Europa.
Há dois dias a União Europeia actualizou as previsões do desempenho da nossa economia para este ano apontando para um défice orçamental de 6,5% e uma taxa de desemprego superior a 9%, valores que sobem para 6,7% e 9,8% respectivamente em 2010.
Segundo estudos recentes Portugal é também o país da União Europeia com maior desigualdade na distribuição de rendimentos.
O nosso País é aquele em que o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é mais largo. O mesmo acontece entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres.
(Ver artigo na The Economist)
terça-feira, 5 de maio de 2009
A Política Agrícola e a Economia Nacional
Um dos principais problemas do País reside no facto de uma parte significativa dos lucros das empresas multinacionais sair de Portugal, beneficiando outras economias.
Portugal que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
A falência da política económica “promovida” pelo Governo ainda se torna mais evidente quando se compara com o que acontece em sectores assentes na riqueza endógena como é o caso da agricultura.
A riqueza gerada pela agricultura caiu 23% desde 1992.
Curiosamente os apoios concedidos aos agricultores caíram 42,5 % no mesmo período.
Segundo dados recentes e tendo em conta as verbas referentes ao Regime de Pagamento Único, ao PRODER e aos programas que o antecederam o Governo desperdiçou mais de mil milhões de euros disponibilizados por Bruxelas entre os anos de 2005 e 2008, por incapacidade de agilizar os mecanismos que poderiam permitir a sua utilização.
Não espanta que com esta descida dos apoios e dos rendimentos tenhamos cada vez menos agricultores e mais campos abandonados.
Um estudo recente aponta que nos próximos anos só 30% dos agricultores possam sobreviver no mercado.
Esta política de desprezo pela agricultura é completamente irracional. Não podemos continuar a abandonar as terras e a apostar numa economia de crescente importação de bens essenciais.
Recentemente até o insuspeito Presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), João Salgueiro, afirmou que a agricultura tem maior potencial para criar empregos que o sector das obras públicas.
Para este economista os planos actuais contra a crise assentam numa política de betão, o que não resolve os dois grandes problemas nacionais: o desemprego e o desequilíbrio da balança comercial.
Segundo o Presidente da APB deveria haver uma campanha nacional para explicar o valor da agricultura.
João Salgueiro lamentou que o sector continue tão desprezado, ao contrário de outros países mediterrâneos que têm apostado no aumento das exportações para o resto da Europa.
O desenvolvimento da agricultura poderia também contribuir para atenuar o desequilíbrio crescente entre o litoral e o interior cada vez mais envelhecido e desertificado.
Falar da agricultura obriga a pensar na floresta.
As pessoas ligadas ao sector sabem que a floresta tem sido igualmente abandonada.
Veja-se o caso grave da doença do pinheiro e a ligeireza com que o Governo tem ”tratado” o problema, causando sérios prejuízos a toda a indústria da fileira do pinheiro: serrações, industria do mobiliário e indústria das embalagens, por exemplo.
A floresta não só é fundamental à riqueza nacional como é essencial à preservação do ambiente e ao turismo de natureza.
A floresta tem que ter políticas que apostem na sustentabilidade do negócio, na valorização da biodiversidade ambiental e na coesão social. Tem que ser rentável para atrair investidores e tem que criar empregos para a população activa que vive na proximidade da mata
Um dos aspectos essências é a valorização da produção de energia renovável pela biomassa.
Basta ver o desprezo a que o Governo tem votado o Centro da Biomassa para a Energia (CBE), sediado em Miranda do Corvo, para se ter a noção da falta de lucidez política dos responsáveis pelo sector.
(Publicado no Diário de Coimbra em 05.05.2009)
Portugal que já tem uma balança externa deficitária, importando mais do que exporta, enfrenta também este problema da emigração dos lucros.
A falência da política económica “promovida” pelo Governo ainda se torna mais evidente quando se compara com o que acontece em sectores assentes na riqueza endógena como é o caso da agricultura.
A riqueza gerada pela agricultura caiu 23% desde 1992.
Curiosamente os apoios concedidos aos agricultores caíram 42,5 % no mesmo período.
Segundo dados recentes e tendo em conta as verbas referentes ao Regime de Pagamento Único, ao PRODER e aos programas que o antecederam o Governo desperdiçou mais de mil milhões de euros disponibilizados por Bruxelas entre os anos de 2005 e 2008, por incapacidade de agilizar os mecanismos que poderiam permitir a sua utilização.
Não espanta que com esta descida dos apoios e dos rendimentos tenhamos cada vez menos agricultores e mais campos abandonados.
Um estudo recente aponta que nos próximos anos só 30% dos agricultores possam sobreviver no mercado.
Esta política de desprezo pela agricultura é completamente irracional. Não podemos continuar a abandonar as terras e a apostar numa economia de crescente importação de bens essenciais.
Recentemente até o insuspeito Presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), João Salgueiro, afirmou que a agricultura tem maior potencial para criar empregos que o sector das obras públicas.
Para este economista os planos actuais contra a crise assentam numa política de betão, o que não resolve os dois grandes problemas nacionais: o desemprego e o desequilíbrio da balança comercial.
Segundo o Presidente da APB deveria haver uma campanha nacional para explicar o valor da agricultura.
João Salgueiro lamentou que o sector continue tão desprezado, ao contrário de outros países mediterrâneos que têm apostado no aumento das exportações para o resto da Europa.
O desenvolvimento da agricultura poderia também contribuir para atenuar o desequilíbrio crescente entre o litoral e o interior cada vez mais envelhecido e desertificado.
Falar da agricultura obriga a pensar na floresta.
As pessoas ligadas ao sector sabem que a floresta tem sido igualmente abandonada.
Veja-se o caso grave da doença do pinheiro e a ligeireza com que o Governo tem ”tratado” o problema, causando sérios prejuízos a toda a indústria da fileira do pinheiro: serrações, industria do mobiliário e indústria das embalagens, por exemplo.
A floresta não só é fundamental à riqueza nacional como é essencial à preservação do ambiente e ao turismo de natureza.
A floresta tem que ter políticas que apostem na sustentabilidade do negócio, na valorização da biodiversidade ambiental e na coesão social. Tem que ser rentável para atrair investidores e tem que criar empregos para a população activa que vive na proximidade da mata
Um dos aspectos essências é a valorização da produção de energia renovável pela biomassa.
Basta ver o desprezo a que o Governo tem votado o Centro da Biomassa para a Energia (CBE), sediado em Miranda do Corvo, para se ter a noção da falta de lucidez política dos responsáveis pelo sector.
(Publicado no Diário de Coimbra em 05.05.2009)
sábado, 2 de maio de 2009
Ajuste de Contas Antigas
A esquerda aproveitou o 1.º de Maio para acertar contas antigas.
A atitude dos agressores é inadmissível e intolerável mas a rápida invocação da Marinha Grande pelo Vital Moreira foi absurda.
A teoria da vitimização está-se a tornar uma obsessão para alguns socialistas.
PSD Aproxima-se do PS

Sondagem do Diário de Notícias sobre as eleições europeias mostra que o PSD pode vencer as eleições europeias.
Esta sondagem está também de acordo com a da Intercampus, para a TVI, relativamente à proximidade entre o PS e PSD.
Paulo Rangel está a realizar uma boa pré-campanha e está por isso a conquistar terreno. Com este estímulo poderá agora dar um salto em frente.
Vital Moreira tem confirmado que foi uma má escolha de Sócrates. Não é uma figura galvanizadora para os socialistas. O seu fanatismo na defesa do governo de Sócrates (não podemos esquecer que a sua mulher é Secretária de Estado) impede-o de alargar a base eleitoral, não conseguindo angariar apoio fora do eleitorado socialista. A área comunista não esqueceu a traição, como vimos ontem no Martim Moniz.
Para além da má prestação de Vital Moreira estes resultados indicam também que o descontentamento com o governo está a aumentar.
Os sinais de nervosismo da parte do Partido Socialista começam a ser evidentes.
Se isto continuar com o actual rumo ainda poderemos ter um Verão animado e quem sabe alguma surpresa lá para Outubro.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
O Custo da Água e a Coesão Territorial
A aplicação de directivas comunitárias vai obrigar a que as tarifas da água e do saneamento reflictam os custos de exploração, impedindo que o seu valor seja inferior ao valor de custo.
Esta medida vai implicar que nos concelhos mais pequenos, do interior, com elevados custos de exploração, estas tarifas tenham um agravamento brutal.
Como facilmente se compreende os custos de exploração de água e saneamento são muito mais altos numa pequena vila do que numa grande cidade onde os ganhos de escala são evidentes.
Basta pensarmos que os mesmos vinte metros de conduta, com custos idênticos, que correspondem normalmente a dois ou três utilizadores num concelho do interior poderão corresponder a várias dezenas de utilizadores num concelho das áreas metropolitanas de Lisboa ou do Porto.
Esta situação vai conduzir a uma enorme disparidade entre o custo da água para os residentes de Lisboa ou do resto do país, sendo particularmente grave nos concelhos mais pequenos do interior.
Não só é uma situação socialmente insustentável como vai prejudicar a qualidade de vida no interior, contribuindo para o êxodo da população do interior para o litoral com brutais custos sociais no futuro.
Importa que o Governo faça prevalecer os princípios da solidariedade nacional e da coesão territorial impondo uma tarifa única em todo o país.
Os ganhos de escala nas grandes áreas metropolitanas devem ser usados para atenuar os elevados custo das zonas de baixa densidade populacional.
Tal como a electricidade tem um tarifário único em todo o país, importa que o Governo crie urgentemente os mecanismos necessários para a criação dum tarifário único nacional, permitindo assim um custo mais equilibrado e uniforme de água e saneamento para todos os portugueses.
A existirem diferenças as mesmas deveriam ser sempre favoráveis aos concelhos do interior e nunca o contrário. As medidas que possam atenuar a desertificação devem ser assumidas como um desígnio nacional.
Portugal sofre duma tremenda macrocefalia demográfica, económica e política. A pouco e pouco tudo se concentra na área metropolitana de Lisboa.
Mais de metade das áreas urbanas de Portugal concentram-se numa faixa de apenas 13 km junto à costa que representa cerca de 13% do território.
Os restantes 87% do país estão cada vez mais abandonados.
É com preocupação que diariamente assistimos ao anúncio de políticas fortemente penalizadoras para as populações rurais, mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Dos encerramentos das escolas periféricas, dos Serviços de Atendimento Permanente nos Centros de Saúde, das extensões de saúde nas freguesias mais distantes, das maternidades e de alguns serviços descentralizados até ao esvaziamento dos serviços regionais de alguns institutos públicos, temos assistido a uma sucessão de decisões absurdamente centralistas que estão a contribuir para um êxodo populacional do interior para o litoral, posteriormente canalizado para Lisboa.
O Governo quer encerrar tudo o que cheira a periferia, alegando custos excessivos.
Estas decisões assentes numa visão excessivamente economicista, são um acelerador da desertificação de Portugal.
Com estas políticas teremos um interior cada vez mais desertificado e uma área metropolitana de Lisboa agigantada.
Na Europa do Norte os Governos tudo fazem para manter uma distribuição equilibrada das pessoas pelos territórios.
Em Portugal o engenheiro Sócrates tem feito o contrário.
A recessão económica afasta-nos da média europeia.
O centralismo aproxima-nos da África subdesenvolvida.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 21.04.2009)
Esta medida vai implicar que nos concelhos mais pequenos, do interior, com elevados custos de exploração, estas tarifas tenham um agravamento brutal.
Como facilmente se compreende os custos de exploração de água e saneamento são muito mais altos numa pequena vila do que numa grande cidade onde os ganhos de escala são evidentes.
Basta pensarmos que os mesmos vinte metros de conduta, com custos idênticos, que correspondem normalmente a dois ou três utilizadores num concelho do interior poderão corresponder a várias dezenas de utilizadores num concelho das áreas metropolitanas de Lisboa ou do Porto.
Esta situação vai conduzir a uma enorme disparidade entre o custo da água para os residentes de Lisboa ou do resto do país, sendo particularmente grave nos concelhos mais pequenos do interior.
Não só é uma situação socialmente insustentável como vai prejudicar a qualidade de vida no interior, contribuindo para o êxodo da população do interior para o litoral com brutais custos sociais no futuro.
Importa que o Governo faça prevalecer os princípios da solidariedade nacional e da coesão territorial impondo uma tarifa única em todo o país.
Os ganhos de escala nas grandes áreas metropolitanas devem ser usados para atenuar os elevados custo das zonas de baixa densidade populacional.
Tal como a electricidade tem um tarifário único em todo o país, importa que o Governo crie urgentemente os mecanismos necessários para a criação dum tarifário único nacional, permitindo assim um custo mais equilibrado e uniforme de água e saneamento para todos os portugueses.
A existirem diferenças as mesmas deveriam ser sempre favoráveis aos concelhos do interior e nunca o contrário. As medidas que possam atenuar a desertificação devem ser assumidas como um desígnio nacional.
Portugal sofre duma tremenda macrocefalia demográfica, económica e política. A pouco e pouco tudo se concentra na área metropolitana de Lisboa.
Mais de metade das áreas urbanas de Portugal concentram-se numa faixa de apenas 13 km junto à costa que representa cerca de 13% do território.
Os restantes 87% do país estão cada vez mais abandonados.
É com preocupação que diariamente assistimos ao anúncio de políticas fortemente penalizadoras para as populações rurais, mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Dos encerramentos das escolas periféricas, dos Serviços de Atendimento Permanente nos Centros de Saúde, das extensões de saúde nas freguesias mais distantes, das maternidades e de alguns serviços descentralizados até ao esvaziamento dos serviços regionais de alguns institutos públicos, temos assistido a uma sucessão de decisões absurdamente centralistas que estão a contribuir para um êxodo populacional do interior para o litoral, posteriormente canalizado para Lisboa.
O Governo quer encerrar tudo o que cheira a periferia, alegando custos excessivos.
Estas decisões assentes numa visão excessivamente economicista, são um acelerador da desertificação de Portugal.
Com estas políticas teremos um interior cada vez mais desertificado e uma área metropolitana de Lisboa agigantada.
Na Europa do Norte os Governos tudo fazem para manter uma distribuição equilibrada das pessoas pelos territórios.
Em Portugal o engenheiro Sócrates tem feito o contrário.
A recessão económica afasta-nos da média europeia.
O centralismo aproxima-nos da África subdesenvolvida.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 21.04.2009)
Más Decisões para os Contribuintes Pagarem
No âmbito da reforma dos cuidados de saúde primários o Governo decidiu extinguir as sub-regiões de saúde, criando em sua substituição vários agrupamentos de centros de saúde (ACES). Três no nosso Distrito.
Anteriormente havia um Director de Saúde para o Distrito. Com estes ACES vão ser nomeados nove administradores, todos evidentemente fiéis ao partido do Governo. É mais um milagre socialista de multiplicação dos cargos políticos.
No alto distrito foi criado o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte I, incluindo Arganil, Góis, Lousã, Miranda, Oliveira, Pampilhosa, Tábua e Poiares.
Tendo o Governo algumas instalações próprias, devolutas, seria lógico que aí instalasse a sede do agrupamento.
O Ministério da Saúde tem edifícios com grande dignidade, propriedade do Estado, com várias salas fechadas, como é o caso dos centros de saúde de Miranda do Corvo e Poiares.
Apesar do centro de saúde da Lousã funcionar em instalações alugadas, com espaço reduzido, foi precisamente neste concelho que o Governo decidiu instalar esta sede.
A instalação deste serviço na Lousã implica o pagamento mensal de rendas e outras despesas com obras de remodelação/ampliação num edifício que é propriedade privada.
É inaceitável que o Governo faça obras e investimentos em propriedade alheia quando possui instalações devolutas, a degradaram-se por falta de uso.
Esta decisão é completamente irracional do ponto de vista económico.
Não podemos aceitar que perante a crise económica, o Governo mantenha uma atitude despesista irresponsável
A instalação desta sede traz prestígio para o concelho onde se instalar.
Os edifícios subaproveitados de Miranda e Poiares estão em concelhos com gestões autárquicas social-democratas.
A Lousã é um concelho tradicionalmente socialista em que o PS corre o risco de perder, nomeadamente se o actual presidente não se candidatar como reiteradamente tem afirmado.
É evidente que todos estamos habituados a políticos que prometem uma coisa e fazem exactamente o oposto. Ficarei desiludido se tiver de colocar o Dr. Fernando Carvalho nesta lista de troca-tintas.
Perante o risco da derrota nas eleições autárquicas pretenderá o Governo com este gesto satisfazer algumas clientelas locais e reforçar a candidatura PS.
Não aceito que privilegie o interesse partidário em prejuízo do interesse nacional.
Em Miranda o centro de saúde possuía uma ala de internamento com “urgências” 24 horas e teve obras de modernização há cerca de quatro anos.
Após a conclusão destas obras, numa atitude que ainda hoje não compreendemos, o Governo decidiu encerrar as urgências e o internamento. Alegou falta de dinheiro. Dinheiro que agora esbanja em instalações alugadas.
José Sócrates não pode continuar a desperdiçar o nosso dinheiro para satisfazer clientelas partidárias em vez de fazer uma gestão correcta dos dinheiros públicos.
Trata-se de uma decisão completamente irracional e similar à que ocorreu recentemente com a transferência da Delegação Regional da Economia para Aveiro.
Também aí o Governo abandonou instalações próprias em Coimbra passando a ter de pagar as deslocações diárias dos trabalhadores para Aveiro.
Miranda e Poiares são Câmaras de maioria social-democrata. Lousã é um concelho que o PS não quer perder.
É eticamente inaceitável que o José Sócrates e o Governo ponham o PS acima dos interesses nacionais.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 07.04.2009)
Anteriormente havia um Director de Saúde para o Distrito. Com estes ACES vão ser nomeados nove administradores, todos evidentemente fiéis ao partido do Governo. É mais um milagre socialista de multiplicação dos cargos políticos.
No alto distrito foi criado o Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Interior Norte I, incluindo Arganil, Góis, Lousã, Miranda, Oliveira, Pampilhosa, Tábua e Poiares.
Tendo o Governo algumas instalações próprias, devolutas, seria lógico que aí instalasse a sede do agrupamento.
O Ministério da Saúde tem edifícios com grande dignidade, propriedade do Estado, com várias salas fechadas, como é o caso dos centros de saúde de Miranda do Corvo e Poiares.
Apesar do centro de saúde da Lousã funcionar em instalações alugadas, com espaço reduzido, foi precisamente neste concelho que o Governo decidiu instalar esta sede.
A instalação deste serviço na Lousã implica o pagamento mensal de rendas e outras despesas com obras de remodelação/ampliação num edifício que é propriedade privada.
É inaceitável que o Governo faça obras e investimentos em propriedade alheia quando possui instalações devolutas, a degradaram-se por falta de uso.
Esta decisão é completamente irracional do ponto de vista económico.
Não podemos aceitar que perante a crise económica, o Governo mantenha uma atitude despesista irresponsável
A instalação desta sede traz prestígio para o concelho onde se instalar.
Os edifícios subaproveitados de Miranda e Poiares estão em concelhos com gestões autárquicas social-democratas.
A Lousã é um concelho tradicionalmente socialista em que o PS corre o risco de perder, nomeadamente se o actual presidente não se candidatar como reiteradamente tem afirmado.
É evidente que todos estamos habituados a políticos que prometem uma coisa e fazem exactamente o oposto. Ficarei desiludido se tiver de colocar o Dr. Fernando Carvalho nesta lista de troca-tintas.
Perante o risco da derrota nas eleições autárquicas pretenderá o Governo com este gesto satisfazer algumas clientelas locais e reforçar a candidatura PS.
Não aceito que privilegie o interesse partidário em prejuízo do interesse nacional.
Em Miranda o centro de saúde possuía uma ala de internamento com “urgências” 24 horas e teve obras de modernização há cerca de quatro anos.
Após a conclusão destas obras, numa atitude que ainda hoje não compreendemos, o Governo decidiu encerrar as urgências e o internamento. Alegou falta de dinheiro. Dinheiro que agora esbanja em instalações alugadas.
José Sócrates não pode continuar a desperdiçar o nosso dinheiro para satisfazer clientelas partidárias em vez de fazer uma gestão correcta dos dinheiros públicos.
Trata-se de uma decisão completamente irracional e similar à que ocorreu recentemente com a transferência da Delegação Regional da Economia para Aveiro.
Também aí o Governo abandonou instalações próprias em Coimbra passando a ter de pagar as deslocações diárias dos trabalhadores para Aveiro.
Miranda e Poiares são Câmaras de maioria social-democrata. Lousã é um concelho que o PS não quer perder.
É eticamente inaceitável que o José Sócrates e o Governo ponham o PS acima dos interesses nacionais.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 07.04.2009)
A Crise e a Falta de Líderes
Portugal enfrenta dificuldades agravadas pela crise internacional.
Era evidente que o rumo seguido, nos últimos anos, condenava o país a um período de vacas magras.
O desencadear da crise financeira internacional, iniciada com a desculpa do sub-prime nos EUA, acentuou as nossas dificuldades endógenas.
O défice externo em 2008 voltou a ultrapassar os 10% do PIB, situação que não se verificava desde 1982, ano em que o país teve de recorrer ao FMI.
O grande agravamento é devido ao défice comercial, agravado pelo aumento da factura com os juros resultantes da divida acumulada ao exterior.
A situação não é ainda mais grave graças ao facto de contarmos com as remessas dos emigrantes e com os apoios financeiros da União Europeia.
A solução passa por um efectivo apertar de cinto nas importações e por uma aposta estratégica fundamental no aumento da nossa capacidade produtiva em bens transaccionáveis.
Portugal não pode continuar a não apostar na agricultura, a desprezar as pescas e a demitir-se de desenvolver uma indústria capaz de competir no exterior e que reduza as nossas necessidades de importações.
Perante esta situação exigem-se políticos capazes de falar verdade e de actuar sem hesitações.
A solução não passa por aumentar o défice do Estado com o lançamento de obras megalómanas. O investimento público deve ser criteriosamente distribuído pelo país de modo a dinamizar as economias locais.
A solução exige que se aposte na produção nacional e não no aumento do endividamento, como defende o Governo, incentivando grandes obras públicas sem sustentabilidade económica, como o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa.
O objectivo central terá de incidir no aumento da competitividade das empresas e no aumento das exportações, o que só acontecerá com apostas decisivas no apoio às pequenas e médias empresas.
Estas são o verdadeiro motor da nossa economia e não os bancos, os seguros ou a especulação bolsista.
A banca e os seus gestores têm-se descredibilizado.
Diariamente surgem notícias que mostram que aqueles que devem milhões são tratados de forma privilegiada.
As pequenas empresas enfrentam dificuldades crescentes, com milhares em risco de falência. São sistematicamente perseguidas pelo fisco, sem perdão nem tolerância por parte da banca, em flagrante diferença com os privilégios concedidos aos grandes especuladores financeiros, que nada produzem e que não criam postos de trabalho.
Numa situação desta gravidade é preocupante ter um Primeiro-ministro fragilizado e sem credibilidade. As várias histórias pessoais, com as suspeitas levantadas, diminuem-lhe a capacidade de liderança.
Concordo com Belmiro de Azevedo quando recentemente afirmou que o grande problema é a falta de líderes.
A absoluta necessidade de mudar de estratégia de desenvolvimento, com mais justiça social e mais igualdade, exige políticos fiáveis, de absoluta confiança.
É a crise de valores e a falta de seriedade por parte das elites que está na origem de muitas das dificuldades nacionais.
As elites culturais, económicas, políticas, militares ou religiosas têm não só o dever de dar o exemplo como de lutar para que a sociedade portuguesa se mantenha fiel a valores éticos e morais.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 24.03.2009)
Era evidente que o rumo seguido, nos últimos anos, condenava o país a um período de vacas magras.
O desencadear da crise financeira internacional, iniciada com a desculpa do sub-prime nos EUA, acentuou as nossas dificuldades endógenas.
O défice externo em 2008 voltou a ultrapassar os 10% do PIB, situação que não se verificava desde 1982, ano em que o país teve de recorrer ao FMI.
O grande agravamento é devido ao défice comercial, agravado pelo aumento da factura com os juros resultantes da divida acumulada ao exterior.
A situação não é ainda mais grave graças ao facto de contarmos com as remessas dos emigrantes e com os apoios financeiros da União Europeia.
A solução passa por um efectivo apertar de cinto nas importações e por uma aposta estratégica fundamental no aumento da nossa capacidade produtiva em bens transaccionáveis.
Portugal não pode continuar a não apostar na agricultura, a desprezar as pescas e a demitir-se de desenvolver uma indústria capaz de competir no exterior e que reduza as nossas necessidades de importações.
Perante esta situação exigem-se políticos capazes de falar verdade e de actuar sem hesitações.
A solução não passa por aumentar o défice do Estado com o lançamento de obras megalómanas. O investimento público deve ser criteriosamente distribuído pelo país de modo a dinamizar as economias locais.
A solução exige que se aposte na produção nacional e não no aumento do endividamento, como defende o Governo, incentivando grandes obras públicas sem sustentabilidade económica, como o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa.
O objectivo central terá de incidir no aumento da competitividade das empresas e no aumento das exportações, o que só acontecerá com apostas decisivas no apoio às pequenas e médias empresas.
Estas são o verdadeiro motor da nossa economia e não os bancos, os seguros ou a especulação bolsista.
A banca e os seus gestores têm-se descredibilizado.
Diariamente surgem notícias que mostram que aqueles que devem milhões são tratados de forma privilegiada.
As pequenas empresas enfrentam dificuldades crescentes, com milhares em risco de falência. São sistematicamente perseguidas pelo fisco, sem perdão nem tolerância por parte da banca, em flagrante diferença com os privilégios concedidos aos grandes especuladores financeiros, que nada produzem e que não criam postos de trabalho.
Numa situação desta gravidade é preocupante ter um Primeiro-ministro fragilizado e sem credibilidade. As várias histórias pessoais, com as suspeitas levantadas, diminuem-lhe a capacidade de liderança.
Concordo com Belmiro de Azevedo quando recentemente afirmou que o grande problema é a falta de líderes.
A absoluta necessidade de mudar de estratégia de desenvolvimento, com mais justiça social e mais igualdade, exige políticos fiáveis, de absoluta confiança.
É a crise de valores e a falta de seriedade por parte das elites que está na origem de muitas das dificuldades nacionais.
As elites culturais, económicas, políticas, militares ou religiosas têm não só o dever de dar o exemplo como de lutar para que a sociedade portuguesa se mantenha fiel a valores éticos e morais.
Carlos Ferreira
(Publicado no Diário de Coimbra em 24.03.2009)
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